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PELA LEI

O fim da escala 6x1 e o começo de uma nova organização do trabalho

O fim da escala 6x1 traz novos direitos aos trabalhadores, mas também desafios operacionais, financeiros e jurídicos para empresas de diferentes setores

Por Neimar Zavarize

Advogado · · Atualizado em · 3 min de leitura

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O Congresso Nacional concluiu ontem (quarta-feira, 14) a aprovação da proposta que põe fim à tradicional escala de seis dias de trabalho por um de descanso. A votação ocorreu em dois turnos no Senado, após a aprovação do mesmo texto pela Câmara dos Deputados, e a mudança agora segue para promulgação.

A notícia é histórica e produzirá efeitos relevantes nas relações de trabalho. Mas é importante esclarecer: a escala 6x1 não acabou imediatamente e as empresas não precisam alterar suas jornadas de um dia para o outro.

A proposta aprovada estabelece uma transição. Dois meses após a publicação da Emenda Constitucional, os trabalhadores passarão a ter dois dias de repouso semanal remunerado e a jornada máxima será reduzida das atuais 44 para 42 horas semanais. Após um ano, contado dessa primeira redução, o limite chegará a 40 horas.

Tudo isso sem redução salarial, inclusive para os contratos que já estiverem em vigor.

Para os trabalhadores, a mudança representa mais tempo para descanso, convivência familiar, estudo e lazer. Também poderá contribuir para a redução do desgaste físico e mental provocado por rotinas que, em muitas atividades, deixam apenas um dia para que o empregado resolva todas as questões de sua vida pessoal e ainda tente recuperar as energias.

Do ponto de vista empresarial, porém, o assunto não pode ser tratado apenas como a simples retirada de um dia da escala. A redução da jornada sem diminuição dos salários aumenta o custo da hora trabalhada e exigirá a reorganização de equipes, turnos, folgas e processos produtivos.

Esse impacto será especialmente sensível em atividades que precisam funcionar todos os dias, como hospitais, hotéis, restaurantes, supermercados, transportes, segurança, indústrias e determinados serviços essenciais. Nesses setores, o fim da escala 6x1 não significa que a empresa deixará de funcionar no sexto dia. Significa que outras pessoas precisarão garantir a continuidade da operação.

Dependendo da realidade de cada negócio, poderá ser necessário contratar empregados, redistribuir horários, rever períodos de maior demanda, alterar turnos ou investir em tecnologia e produtividade. Uma decisão aparentemente simples em uma planilha pode provocar horas extras habituais, intervalos irregulares, sobrecarga de equipes e novos passivos trabalhistas.

O texto aprovado preserva espaço para a negociação coletiva estabelecer escalas diferenciadas, desde que respeitados os limites de proteção previstos na própria proposta. Também admite tratamento específico para determinadas categorias e prevê a edição de normas destinadas a reduzir os impactos sobre microempreendedores, microempresas e empresas de pequeno porte.

Esses pontos demonstram que não haverá uma solução única para todos. Uma indústria não deverá reorganizar sua jornada da mesma forma que um hospital, uma loja ou uma propriedade rural. Até mesmo empresas do mesmo setor podem precisar de soluções

distintas, conforme o número de empregados, os horários de funcionamento, a convenção coletiva aplicável e a necessidade de continuidade dos serviços.

Por essa razão, esperar o encerramento do prazo de transição para iniciar as mudanças não parece uma escolha prudente. A adaptação deverá começar pelo levantamento das escalas existentes, contratos de trabalho, controles de jornada, bancos de horas, acordos coletivos, custos com horas extras e quantidade de trabalhadores necessária para manter a operação.

Também será preciso revisar contratos de prestação de serviços, especialmente quando o preço contratado foi calculado com base na jornada atualmente praticada. Em alguns casos, a mudança poderá afetar não apenas a folha de pagamento, mas toda a formação do custo empresarial.

Independentemente das opiniões favoráveis ou contrárias à medida, a decisão política foi tomada. Agora, inicia-se uma etapa menos visível, mas igualmente importante: transformar uma alteração constitucional em uma organização de trabalho juridicamente segura e economicamente possível.

O fim da escala 6x1 não representa apenas mais um dia de descanso. Para as empresas, marca o início de uma ampla revisão da forma de planejar, distribuir e remunerar o trabalho

Neimar Zavarize

Advogado · Pela Lei

Colunista do Painel News

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