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Quarta-feira, 04 de nov. de 2026
PAINEL ECONÔMICO

Viva a democracia!

Por Antonio Marcus Machado

Painel Econômico · · Atualizado em · 2 min de leitura

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Eleição nos EUA · ILUSTRAÇÃO CRIADA POR IA

Trump praticamente perdeu as midterms elections, as eleições de meio de mandado presidencial. Os democratas ganharam o maior número de assentos tanto na House of the Representatives (Câmara) quanto no Senate (Senado). Isso não é algo inédito. Desde 1934, o partido do incumbente perdeu 20 das 23 realizações de midterms. Na média, 27 assentos foram perdidos. E já houve 15 perdas sucessivas no período de 1938 a 1954, considerando tanto republicanos quanto democratas. Roosevelt em 1934, Clinton em 1998 e Bush em 2022 foram as exceções. Isso, de acordo com estudos de Wlezien (1995) e Bafumi, Erickson e Wlezien (2010). Essa é a beleza e a força de uma democracia. Não estão votando no incumbente, mas no que ele pode fazer em 2027 e 2028 sem autorização do Congresso.

Trump tinha maioria e não terá mais. Haverá uma debate no Congresso, que é superior ao seu poder decisório. Ainda terá o instrumento do veto, que poderá ser derrubado ou não no Legislativo. É isso que anda faltando no Brasil. Um Congresso forte e atuante que proteja os reais interesses da nação. Para que ele exista dependemos dos eleitores e parece que demos um primeiro passo em relação ao Senado. Um aspecto que chama a atenção nas midterms é a força dos estados que podem ter leis próprias e com resultados eleitorais que podem mudar a dinâmica do Congresso.

Trump nunca foi omisso. Acertou e errou em várias decisões. Algumas agradaram e outras desagradaram. Mesmo não sendo obrigatório votar, tradicionalmente os eleitores se manifestam nas midterms no sentido de manter ou mudar o rumo da História. Na metáfora norte-americana ele agora é um Lame Duck, literalmente um pato manco. Mas continuará sendo um pato resiliente, determinado e, principalmente, um outsider da tradicional política dos EUA. Combateu a agenda woke, atuou nas fronteiras para conter a imigração ilegal, revisionou questões fiscais, atraiu investimento direto do estrangeiro, redesenhou a geopolítica global e iniciou o redesenho ideológico da América Latina.

Quem ganha com isso é a Democracia, que se manifesta quando há dúvidas sobre ética, responsabilidade fiscal e direitos humanos.

Como diz a frase que se atribui a Churchill:  "A democracia é a pior forma de governo, exceto por todas as outras formas que já foram tentadas na história"

Antonio Marcus Machado

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Antonio Marcus Machado é professor

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