Segundo Turno no ES
O voto é a representação do caráter de um eleitor. As urnas, o oráculo dos Deuses
Painel Econômico · · Atualizado em · 3 min de leitura
Está em curso o segundo turno de votação para escolha do próximo governador do ES. Como não houve uma votação suficiente para definir a eleição, a legislação eleitoral prevê um período para que os candidatos se reapresentem e os eleitores decidam por um ou por outro. Em uma observação isenta nenhum dos dois candidatos, Ricardo ou Pazzolini, se autodenominou ser do campo da esquerda ou do campo da direita. O imaginário popular viu a imagem de cada um com base nas lideranças que se aproximaram. No caso de Ricardo, Casagrande é um centro-esquerda. E no caso de Pazzolini, Magno Malta, é o fiel escudeiro de Jair Bolsonaro, de direita.
O resultado do primeiro turno das eleições presidenciais mostrou que isso fez diferença nas escolhas dos eleitores capixabas. O voto ideológico superou as avaliações das competências, das experiências em gestão pública e das propostas de trabalho, dos planos de governo. Elementos importantes, os debates pouco contribuíram para construção da escolha, pois, tornaram-se meros embates agressivos. Aliás, no Brasil, tornou-se hábito a estratégia de desqualificar o adversário em detrimento às de exaltação de suas próprias qualidades e propostas de trabalho. Mas ambos têm virtudes.
No que diz respeito à experiência em gestão pública, Ricardo tem como ponto forte o grande conhecimento da economia e da sociedade capixaba, ao ter assumido a vice-governadoria dos períodos de Paulo Hartung e Renato Casagrande e assim ser um dos arquitetos do equilíbrio fiscal estadual com apoio de uma equipe de alto nível na SEFAZ; e ter consistente formação em experiência legislativa pela sua passagem pelo câmara de vereadores, pela Assembleia Legislativa e pelo Senado da República.
Por sua vez, Pazzolini tem uma boa experiência na administração municipal ao exercer o mandato de prefeito por seis anos, sendo reeleito de forma incontestável em termos de aprovação e assim conhece bem as questões da Grande Vitória, a mais representativa do estado, e seus problemas metropolitanos. Em termos de equilíbrio fiscal liderou uma equipe muito competente e focada nesse resultado. Ademais, exerceu o mandato de Deputado Estadual com destaque que lhe permitiu conquistar a governança da capital do ES.
Ricardo tem um “padrinho” político que é, declaradamente, Renato Casagrande. Um político vitorioso, experiente e realizador. É uma aliança explícita. O mesmo não acontece com Pazzolini. A percepção que passa é que é padrinho de si próprio. Se fez aliança com alguma “raposa política”, no bom sentido, ela não é explícita. O que gera algumas suposições, nada comprovadas, de que tenha recebido apoio de outro político vitorioso, experiente e realizador. Mas, ao se analisar seus resultados eleitorais na reeleição e agora no primeiro turno, não importa se ele próprio ou outra pessoa, esse padrinho é competitivo. E ele, de per si, mais ainda.
O Espírito Santo vive uma de suas melhores fases, investindo 20% de sua Receita Corrente Líquida, com harmonia institucional e atração de investimentos. Esse segundo turno tem dois bons candidatos para que assim continue. O voto é a representação do caráter de um eleitor. As urnas, o oráculo dos Deuses.
Que vença a democracia!

Antonio Marcus Machado
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