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PAINEL ECONÔMICO

O futuro da nação

Mantida a legalidade do processo eleitoral, o importante é respeitar o resultado e torcer para que o país melhore

Por Antonio Marcus Machado

Painel Econômico · · Atualizado em · 3 min de leitura

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Eleições para presidente · IMAGEM CRIADA POR IA

Controvérsias à parte, imbróglios jurídicos também, o fato é que amanhecemos hoje com a maior figura política da América Latina se mantendo no poder. Não necessariamente a melhor, mas a mais vitoriosa em um regime democrático com eleição direta, qual seja, Lula. E com a consagração da força do PT, o partido mais vitorioso da América Latina nos últimos 50 anos. Sua capacidade de mobilização e ostentação de suas convicções é impressionante. Com atitudes por vezes questionadas por adversários e analistas em termos da legislação eleitoral, mas sempre robustas, desafiadoras e articuladas nos mais variados segmentos sociais.

Lula ocupará a presidência da república pela quarta vez, sempre disputando eleições democráticas e tendo por grande base sustentadora o norte-nordeste brasileiro. Mas, aos poucos, conquistou também a favorabilidade de eleitores do sul-sudeste, haja vista o espectro de votos consignados no dia de ontem no RJ, SP e MG. Neste, superou o adversário, nos outros dois teve votação consistente. Enfrentou um adversário muito competitivo, Flávio Bolsonaro, que viu em três semanas, no segundo turno, Lula conquistar mais 10 milhões de votos. Experientes agências de marketing político de cada lado buscavam o que há de melhor nessa literatura para vencer a eleição. Projetos caros, filmagens cinematográficas e treinamento de oratória persuasiva aconteciam.

Parafraseando Glauber Rocha, com uma câmera na mão surgiu um agressivo e persistente agente mobilizador: Janones. Entrou na mente das pessoas que participavam do que ele chamou de “exército de Lula” e dava comandos para que essas mentes, sem trocadilho, propagassem ideias e determinassem a realização de ações eleitoreiras. A História já nos mostrou o uso dessa modalidade de propaganda. O candidato Flávio tinha ao seu lado, o Nikolas Ferreira, super campeão de votos e também mobilizador. Só que sem entrar na mente dos seguidores para que agissem. Apenas, a meu ver, para que celebrassem os eventos que ocorriam.

A composição de parte da equipe econômica de Flávio foi apresentada e várias ideias para a economia surgiram. Para a área de saúde apresentou um nome respeitado e competente. Lula não definiu ninguém, para qualquer área. Concentrou tudo em si, na sua retórica eloquente e sedutora. Sua esposa, Janja, teve uma atuação combativa e não media palavras para defender o marido. A mensagem que endereçava era direta, ríspida e sem os floreios da polidez. Lula usou quase todo o arsenal do paiol das munições de combate, com promessas incoerentes com o quadro fiscal, mas claramente impactante nas vidas das pessoas de baixa renda. É isso que o povo quer e é isso que eu vou dar. Sem qualquer objeção do TSE, aprofundou essas benesses no segundo turno e conquistou votos importantes em uma eleição muito equilibrada. Por una cabeza, diz o tango argentino.

Penso que o estopim para a mobilização dos eleitores de Lula e simpatizantes do PT foi o momento em que Flávio, em debate na televisão, mostrou a palma da mão com a palavra corrupto assim escrita: corruPTo. Despertou um gigante parcialmente adormecido. Mas, sempre alerta e combativo.

Tudo que eu disse acima pode explicar uma vitória eleitoral. Mas, explicar uma virada no segundo turno, em que saiu de uma desvantagem de 2,2 milhões de votos para uma vantagem de 4,4 milhões; em que conquistou 74% dos votos da terceira via, de quem faltou e de quem anulou no primeiro turno; e em que 211 cidades viraram para ele e só uma virou para o oponente, é algo mais que exige mais estudo e análise.

Mantida a legalidade do processo eleitoral, o importante é respeitar o resultado e torcer para que o país melhore. Sofrer da miopia de pensar que a maior preocupação é o futuro do vencedor é desconsiderar que o sentido da democracia é buscar o melhor futuro para a nação.

Presidentes passam. A presidência permanece.

Antonio Marcus Machado

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Antonio Marcus Machado é professor

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