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Quinta-feira, 05 de nov. de 2026
TRAGÉDIA DE MARIANA

Rompimento de barragem completa 11 anos: ES aplica R$ 1,2 bi na recuperação do Rio Doce

Secretário Neomar Pezim aponta ações estruturantes, repasses a municípios e foco em legado de longo prazo para a bacia e economia capixaba

Por Redação Painel News

· Atualizado em · 3 min de leitura

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Ao completar 11 anos do rompimento da barragem de Fundão, em Mariana (MG), ocorrido em 5 de novembro de 2015, os impactos ambientais e socioeconômicos da tragédia continuam sendo alvo de ações de reparação no Espírito Santo. O desastre, que liberou cerca de 39 milhões de metros cúbicos de rejeitos de mineração, percorreu 673 quilômetros pela bacia do Rio Doce até chegar ao litoral capixaba, deixando 19 mortos e centenas de milhares de pessoas afetadas. Para coordenar as ações de recuperação relacionadas ao desastre, foi criada, em 2024, a Secretaria de Recuperação do Rio Doce.

Em entrevista exclusiva ao PAINEL NEWS, o secretário da pasta, Neomar Pezzin, fez um balanço dos dois anos de atuação da secretaria. Segundo ele, o momento não é de comemoração, mas de prestação de contas à sociedade sobre a aplicação dos recursos previstos no acordo de reparação de longo prazo, estimado em cerca de R$ 15 bilhões ao longo de 20 anos.

Fundo permanente e investimentos estruturantes

De acordo com o secretário, o Espírito Santo já recebeu cerca de R$ 2,3 bilhões no âmbito do acordo, dos quais aproximadamente R$ 1,3 bilhão foi destinado diretamente a investimentos. Entre as iniciativas financeiras destacadas está a criação de um fundo permanente de R$ 1 bilhão, exclusivo para a região do Rio Doce. O mecanismo foi estruturado para atender a situações de emergência, como enchentes, além de financiar ações de recuperação ambiental das margens do rio. Desse montante, apenas os rendimentos poderão ser utilizados, garantindo a manutenção dos recursos ao longo do tempo.

Na prática, os investimentos estão sendo direcionados a diferentes áreas prioritárias. Cerca de R$ 400 milhões estão destinados a ações ambientais em andamento; R$ 250 milhões, à melhoria da mobilidade e da infraestrutura regional; e aproximadamente R$ 200 milhões, a projetos de saneamento e requalificação urbana. Atualmente, o Estado contabiliza 89 ações em execução, que somam cerca de R$ 1,2 bilhão em investimentos. Outros R$ 300 milhões correspondem a iniciativas já concluídas.

Recursos chegam a municípios afetados

A distribuição dos recursos segue critérios de necessidade regional e ocorre por meio de órgãos estaduais e de convênios com as administrações municipais. A prioridade são 11 municípios reconhecidos como diretamente impactados ao longo da calha do Rio Doce e no litoral norte capixaba. Entre eles estão Baixo Guandu, Colatina, Marilândia, Linhares, São Mateus, Conceição da Barra, Serra, Fundão e Aracruz. Anchieta também está entre os municípios contemplados, em razão dos prejuízos econômicos provocados pela paralisação das atividades da Samarco.

Além disso, o planejamento prevê ações em outros 22 municípios localizados na bacia hidrográfica do Rio Doce. Nesses casos, as intervenções serão voltadas especificamente às áreas ambiental e de saneamento. Segundo Pezzin, a recuperação integral da bacia exige uma atuação que considere toda a extensão do território atingido. O objetivo, de acordo com o secretário, é promover a diversificação econômica e a recuperação ambiental, deixando um legado duradouro para as comunidades afetadas ao longo das próximas duas décadas.

Números da reparação no Espírito Santo

  • Fundo permanente: R$ 1 bilhão reservado para ações emergenciais, enfrentamento de enchentes e recuperação ambiental. Apenas os rendimentos poderão ser utilizados.

  • Investimentos em andamento: cerca de R$ 1,2 bilhão distribuído entre 89 ações em execução.

  • Áreas prioritárias: aproximadamente R$ 400 milhões para ações ambientais, R$ 250 milhões para mobilidade e infraestrutura e R$ 200 milhões para saneamento e requalificação urbana.

  • Municípios contemplados: 11 municípios diretamente impactados, além de Anchieta, por razões econômicas, e outros 22 municípios da bacia hidrográfica, com ações nas áreas ambiental e de saneamento.


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