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Sexta-feira, 16 de out. de 2026
SEGURANÇA DO TRABALHO

Novas regras exigem mais controle de poeira e proteção aos trabalhadores na mineração

Atualização da NR-22 reforça medidas contra partículas nocivas e amplia a busca por tecnologias que reduzam riscos e desperdício de água

Por Rodrigo Péret

Repórter Multimídia · · Atualizado em · 3 min de leitura

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As mineradoras brasileiras passaram a ter de seguir novas exigências para controlar a poeira gerada durante suas atividades a partir deste ano. Isso porque a  Norma Regulamentadora nº 22 (NR-22) foi atualizada neste ano e reforça a prevenção contra a exposição de trabalhadores a partículas minerais, que podem provocar doenças respiratórias graves. A mudança também amplia o desafio de conciliar segurança, produtividade e consumo responsável de água.

Publicadas pelo Ministério do Trabalho e Emprego em janeiro, com ajustes em fevereiro, as novas regras estabelecem um limite de exposição ocupacional de 0,05 miligrama por metro cúbico (mg/m³) para sílica cristalina e cristobalita presentes na poeira respirável. Essas partículas podem ser liberadas em diferentes etapas da mineração, como perfuração, britagem, transporte e beneficiamento de minérios. Quando inaladas, podem atingir regiões profundas dos pulmões.

A exposição à sílica cristalina está associada à silicose, doença pulmonar irreversível, e ao aumento do risco de câncer de pulmão. Por isso, o controle precisa considerar não apenas a poeira visível, mas também as partículas microscópicas presentes no ambiente de trabalho.

Tecnologia amplia alternativas de proteção

A aplicação de água é um dos métodos mais utilizados para conter a dispersão de poeira nas mineradoras. Entretanto, a NR-22 também prevê o uso de técnicas alternativas quando a umidificação for tecnicamente inviável, inadequada às características da rocha ou representar riscos adicionais.

Pesquisas do Instituto Nacional de Segurança e Saúde Ocupacional dos Estados Unidos (NIOSH) apontam diferentes formas de reduzir a exposição, como sistemas de ventilação e filtragem, isolamento de equipamentos e captação da poeira diretamente nos pontos onde ela é produzida.

O engenheiro Vinicius Mantovani, diretor de Tecnologias e Suporte ao Cliente da Benetech Brasil, afirma que as medidas precisam considerar as particularidades de cada operação.

“Não basta apenas aumentar a quantidade de água aplicada. É preciso entender onde a poeira é gerada e quais são as características de cada operação”, explica.

Segundo ele, etapas como britagem, transporte por correias e transferência de materiais apresentam diferentes mecanismos de dispersão, exigindo soluções específicas. O Greencarpet da Benetech, por exemplo, é uma dessas alternativas, conseguindo reduzir em até 90% a dispersão de partículas provocada pela ação do vento.

Automação busca reduzir desperdício de água

A modernização também alcança os equipamentos utilizados nas vias internas das minas, onde o trânsito de caminhões pesados pode levantar grandes quantidades de poeira. Em junho, a CNN Brasil noticiou a chegada ao país de um sistema automatizado comercializado pela Sotreq, representante da Caterpillar. A tecnologia regula a quantidade de água lançada por caminhões-pipa conforme a velocidade do veículo.

O objetivo é melhorar o controle de partículas sem encharcar as estradas ou utilizar água em excesso. O sistema também permite acompanhar os trechos atendidos e o volume distribuído, auxiliando no planejamento das operações. Outras alternativas envolvem a instalação de barreiras em correias transportadoras, sistemas de exaustão e tecnologias para diminuir a dispersão de partículas durante o armazenamento e a movimentação de minério.

Para Mantovani, a eficiência dessas medidas depende da escolha de equipamentos adequados a cada processo.

“É preciso avaliar quais tecnologias podem ser utilizadas para controlar as emissões de maneira eficiente, sem comprometer a produtividade da operação”, afirma.

Monitoramento é essencial para prevenir doenças

A redução da poeira visível não é suficiente para demonstrar que o ambiente está seguro. As partículas respiráveis, justamente as que conseguem penetrar mais profundamente nos pulmões, nem sempre são percebidas a olho nu. Por isso, a avaliação da exposição ocupacional é indispensável para identificar riscos e verificar se os sistemas de controle estão funcionando adequadamente. Além dos equipamentos, a prevenção depende de manutenção, treinamento dos trabalhadores e acompanhamento das condições de trabalho. Com as novas regras, o desafio das mineradoras é integrar essas medidas à rotina de produção. O objetivo é diminuir a exposição a partículas nocivas, proteger a saúde dos profissionais e utilizar os recursos disponíveis com maior eficiência.

Rodrigo Péret

Repórter Multimídia · Economia

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