Melanoma pode surgir fora da pele e ser mais agressivo, alerta estudo
Pesquisa da Fundação do Câncer mostra casos em olhos, mucosas e órgãos internos e reforça importância do diagnóstico precoce
Por Weslei Radavelli
Editor · · Atualizado em · 3 min de leitura
O melanoma, um dos tipos mais agressivos de câncer de pele, também pode surgir em outras partes do corpo. Um estudo da Fundação do Câncer alerta para os casos chamados extracutâneos, que podem atingir os olhos, mucosas e órgãos dos sistemas genital e digestório.
Segundo a 12ª edição do boletim Análises e Tendências em Câncer, publicada neste mês, os melanomas extracutâneos são menos frequentes, mas apresentam maior potencial de disseminação e podem ser mais letais. O levantamento analisou 42.255 registros hospitalares de melanoma no Brasil.
Do total, 92,2% eram casos de melanoma cutâneo, enquanto 5,7% atingiam os olhos e 2,5% eram de mucosa. Entre 1990 e 2021, foram registrados 1.324 novos casos de melanoma extracutâneo no país, sendo 523 em homens e 801 em mulheres.
O olho foi o principal local de origem dos tumores extracutâneos, responsável por 75% dos casos. Na sequência aparecem os órgãos genitais, com 12,8%, e o sistema digestório, com 8,2%.
Diagnóstico pode ser mais difícil
O melanoma ocular chama atenção dos especialistas porque pode permanecer sem sintomas nas fases iniciais. Em muitos casos, a doença acaba sendo identificada durante exames de rotina.
Quando aparecem, os sinais podem ser pouco específicos, como visão embaçada, flashes luminosos, manchas no campo visual e perda de visão. Por isso, a Fundação do Câncer reforça a importância do acompanhamento médico e do diagnóstico precoce.
“Controlar o câncer é realizar o diagnóstico da forma mais precoce possível, iniciar o tratamento da forma mais oportuna para que as pessoas se tratem e se curem do câncer”, afirma Alfredo Scaff, consultor médico da Fundação do Câncer e coordenador do estudo.

Melanoma de pele
Apesar de o melanoma representar cerca de 4% dos tumores malignos da pele, ele é considerado mais agressivo devido ao potencial de disseminação para outras partes do organismo.
Entre 1990 e 2021, o Brasil registrou 30.614 novos casos de melanoma de pele. As mulheres responderam por 51,3% dos diagnósticos, enquanto os homens representaram 48,7%.
Os locais mais atingidos foram o tronco, com 22,4% dos casos, os membros inferiores, com 19,1%, e os membros superiores, com 13,8%.
A exposição à radiação ultravioleta é apontada como o principal fator de risco para o câncer de pele. O risco varia conforme o tipo de pele e também está relacionado à intensidade e ao padrão de exposição ao sol.
Para 2026, o Instituto Nacional de Câncer (Inca) estima 9.360 novos casos de melanoma de pele no Brasil, o equivalente a 19,2 casos por 1 milhão de habitantes.
Tratamento
No Sistema Único de Saúde (SUS), a cirurgia é o principal tratamento inicial para o melanoma de pele. Entre 2014 e 2023, ela representou 84,7% dos procedimentos registrados no país.
O estudo também aponta avanços no tratamento dos casos avançados e metastáticos com o uso de imunoterapias. Medicamentos como nivolumabe e pembrolizumabe passaram a integrar o tratamento do melanoma metastático no SUS.
Segundo Scaff, a imunoterapia aumentou significativamente a resposta clínica em pacientes com melanoma avançado. Ele destaca, porém, que o alto custo dos medicamentos ainda é uma barreira para ampliar o acesso aos tratamentos.
Para o melanoma extracutâneo, o cenário é mais complexo. De acordo com Gélcio Mendes, coordenador de Assistência do Inca, ainda são escassas as evidências sobre a efetividade da imunoterapia nesses casos.
O estudo da Fundação do Câncer defende a integração entre atenção básica, dermatologia, oftalmologia, oncologia e outras especialidades para ampliar a capacidade de prevenção, diagnóstico e tratamento da doença.
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