Menopausa: dor e perda de libido podem ser tratadas, diz especialista
Especialista alerta que sintomas sexuais após a menopausa podem ter diferentes causas e devem ser avaliados por médico
Por Weslei Radavelli e Agência Brasil
Editor · · Atualizado em · 2 min de leitura
Queixas como secura vaginal, dor durante a relação sexual e perda do desejo não devem ser tratadas como consequências inevitáveis do envelhecimento. Segundo a ginecologista Jussimara Souza Steglich, da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo), a saúde sexual precisa fazer parte do acompanhamento médico da mulher também após a menopausa.
A especialista, que integra a Comissão Nacional Especializada em Sexologia da Febrasgo, destaca que a sexualidade continua presente ao longo da vida e que diferentes fatores podem interferir na forma como a mulher vivencia essa fase. “A sexualidade não morre. Ela pode ficar obscurecida por algum fator que não deixa a mulher viver a sua sexualidade”, explica.
Para Jussimara, um dos problemas está na falta de diálogo durante as consultas. Segundo ela, profissionais podem deixar de perguntar sobre a vida sexual de mulheres mais velhas por presumirem que elas não mantêm relações. A própria paciente também pode evitar abordar o assunto por vergonha ou constrangimento.
Dor e secura podem ter diferentes causas
A ginecologista afirma que sintomas como secura vaginal e dor durante as relações precisam ser investigados, pois podem estar relacionados a diferentes condições. A dor pode ser sentida profundamente na região pélvica e, segundo a especialista, estar associada a problemas como endometriose, aderências ou doença inflamatória pélvica.
Também podem ocorrer dores relacionadas ao assoalho pélvico. Nesses casos, a reação do organismo à dor pode provocar contração da musculatura, tornando o quadro ainda mais incômodo.
“Essa mulher que sente dor vai contrair totalmente o corpo inteiro e, muito mais, os músculos do assoalho pélvico. Toda mulher que tem dor sexual tem o componente da dor e o componente da contratura muscular. Por isso, é importante um trabalho multidisciplinar”, sugeriu a ginecologista.
Por isso, a orientação é não considerar esses sintomas normais apenas porque surgiram durante ou depois da menopausa. A avaliação profissional é importante para identificar a origem do problema e definir a melhor forma de acompanhamento.
Hormônios e hábitos também fazem parte do cuidado
Além da avaliação médica, a especialista destaca a importância de mudanças na rotina para o cuidado com a saúde durante a menopausa. Atividade física e alimentação adequada são apontadas como parte desse conjunto de medidas.
“Porque é um combo que vem com a menopausa. Há também a questão dos hormônios que podem ser usados, com orientação do médico”, afirma Jussimara.
Outro ponto destacado pela médica é a necessidade de tornar o assunto mais natural. Para ela, falar sobre sexualidade com profissionais de saúde e com o parceiro ou parceira pode ajudar a identificar dificuldades e buscar alternativas.
No Brasil, cerca de 30 milhões de mulheres estão na faixa etária relacionada à menopausa, segundo os dados citados pela especialista. Informações nacionais apontam ainda que 82% apresentam sintomas que impactam a qualidade de vida.
A ginecologista defende, portanto, que a discussão sobre longevidade feminina esteja acompanhada de informações sobre menopausa e sexualidade, evitando que queixas sejam simplesmente atribuídas ao envelhecimento.
Comentários (0)
- Seja o primeiro a comentar.




