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ANA PAULA VESCOVI

“Precisamos de um ajuste crível”: o alerta de ex-secretária do Tesouro

Em entrevista ao PAINEL NEWS, Ana Paula Vescovi aborda a necessidade de um ajuste fiscal confiável para enfrentar o endividamento brasileiro

Por Redação Painel News e Rodrigo Péret

· Atualizado em · 3 min de leitura

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Ana Paula Vescovi · AGÊNCIA BRASIL

O crescimento da dívida pública brasileira e a necessidade de recuperar a confiança na condução das contas do governo estão no centro de um dos debates econômicos mais importantes do país. Em Vitória, a economista capixaba Ana Paula Vescovi, ex-secretária do Tesouro Nacional, chamou a atenção para o desafio fiscal brasileiro durante entrevista ao PAINEL NEWS, realizada nesta sexta-feira (6), no 14º Fórum Liberdade e Democracia.

“Precisamos de um ajuste crível” é a mensagem que sintetiza o alerta apresentado na reportagem em vídeo. A discussão ocorre em um momento de pressão sobre as finanças públicas, com o crescimento do endividamento e o peso dos juros sobre o orçamento federal.

Vescovi participou do painel “O Que Esperar da Economia Pós-Eleições?”, ao lado do economista Bruno Musa. O encontro, realizado no Centro de Convenções de Vitória, reuniu representantes do setor empresarial, especialistas e lideranças para discutir os rumos econômicos e políticos do Brasil.

A discussão sobre o ajuste fiscal vai além das contas do governo. A capacidade do país de equilibrar receitas e despesas influencia as expectativas sobre inflação, juros, investimentos e crescimento econômico.

Dívida brasileira supera R$ 11 trilhões

Os números mais recentes do Banco Central ajudam a dimensionar o desafio. Em setembro de 2026, a Dívida Bruta do Governo Geral atingiu aproximadamente R$ 11,1 trilhões, o equivalente a 82,9% do Produto Interno Bruto (PIB).

Embora o indicador tenha permanecido estável em relação a agosto, a dívida acumulou crescimento de 4,3 pontos percentuais do PIB nos primeiros nove meses do ano.

O país também registrou déficit primário de R$ 94,3 bilhões entre janeiro e setembro. Isso significa que, no conjunto do período, as despesas superaram as receitas antes do pagamento dos juros da dívida.

Outro dado revela a dimensão do problema: segundo informações divulgadas pelo Tesouro Nacional no fim de outubro, a Dívida Pública Federal chegou a R$ 9,383 trilhões em setembro, pressionada principalmente pelos juros.

Os indicadores medem universos diferentes. Enquanto a dívida bruta inclui obrigações de diferentes esferas de governo, a dívida federal considera os compromissos administrados pelo Tesouro Nacional.

A preocupação com a trajetória do endividamento está relacionada à capacidade de financiamento do Estado. Quanto maior o custo de manter e renovar a dívida, mais difícil pode se tornar a tarefa de equilibrar as contas sem comprometer outras prioridades orçamentárias.

Por que o ajuste fiscal importa para a população?

Embora a expressão “ajuste fiscal” seja frequentemente associada a decisões técnicas, seus efeitos podem alcançar diretamente a vida dos brasileiros.

A percepção de risco sobre as finanças públicas influencia os juros cobrados de governos, empresas e consumidores. Quando o financiamento fica mais caro, investimentos podem ser adiados e o crédito pode se tornar menos acessível.

O debate também envolve escolhas sobre arrecadação, crescimento das despesas, eficiência do gasto público e capacidade de manter serviços essenciais.

Um ajuste considerado crível pressupõe medidas que possam ser efetivamente cumpridas e produzam resultados sustentáveis ao longo do tempo. Isso não significa necessariamente adotar uma única fórmula econômica: existem diferentes propostas para alcançar o equilíbrio fiscal, com impactos distintos sobre a atividade econômica e a população.

Para o Brasil, o desafio é construir uma trajetória de endividamento administrável sem perder de vista as necessidades sociais e o desenvolvimento econômico.

Trajetória no Espírito Santo

Formada em Economia pela Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), Ana Paula Vescovi possui uma trajetória que reúne experiências na gestão pública e no setor financeiro.

Antes de assumir a Secretaria do Tesouro Nacional, foi secretária da Fazenda do Espírito Santo. Também ocupou a Secretaria-Executiva do Ministério da Fazenda e cargos de liderança no mercado financeiro.

A participação da economista no fórum realizado em Vitória trouxe para o debate capixaba uma questão de alcance nacional: como recuperar a previsibilidade das contas públicas e criar condições para o crescimento sustentável da economia brasileira.

O tema ganha relevância diante das decisões que precisarão ser tomadas nos próximos anos sobre orçamento, endividamento e prioridades econômicas do país.

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