A macroeconomia e as árvores
Para o colunista, quem vence a eleição passa a escrever o arcabouço legal e econômico que molda o ambiente de negócios
Painel Econômico · · Atualizado em · 3 min de leitura

Muitas pessoas me perguntam se a política eleitoral tem influência na economia de uma sociedade. Seja ela organizada em um país, um estado, um município ou uma entidade de classe. Se deveria ser um ponto de atenção e manifestação de percepções próprias no sentido de enobrecer o diálogo e buscar a boa política e o bom resultado. Sempre respondo que sim em situações que os vértices morais da democracia agridem as duas percepções éticas de Hegel: a moral e a legal. O vencedor de uma lide dessa natureza terá em mente e mãos a definição de arcabouços legais e normativos. Se for inescrupuloso, definirá ou influenciará a organização desses arcabouços que definirão o futuro, de tal forma que, discriminadamente, inibam, impeçam, ou inviabilizam um projeto em andamento, sem a lógica da racionalidade, mas com a lógica da pretensa perpetuidade política.
Nesse caso, achar que o empresariado definirá o futuro é mera inocência ou “wishful thinking”, dizem os norte-americanos signatários da mais consistente e representativa democracia. No mundo real, o mercado seguirá os passos da burocracia, da influência extorsiva da má política e da objetividade política personalista. Já fui secretário municipal de planejamento, de desenvolvimento econômico e de desenvolvimento urbano em um município e sempre recebi muitos empresários e investidores. Acompanhei de perto o enorme desafio deles para construírem o futuro respeitando normas e procedimentos vigentes, ainda que adversos. E todos que atendi foram corretos, atenderam aos preceitos vigentes, continuaram ou descontinuaram seus projetos. Claro que, em algum lugar, pode existir aqueles atores que burlam o status quo vigente e assumem os riscos e as lides jurídicas deles eventualmente decorrentes.
Portanto, essa semana é a mais importante do ano de 2026. Eleitores farão suas escolhas para domingo elegerem o novo gestor político do país. Uma má escolha tende a reverenciar o Princípio de Pareto, a conhecida regra 80/20. No caso o dilema entre alocar o bem-estar social versus a priorização de esforços e aumento de produtividade. Ele é primo do Ótimo de Pareto, que trabalha os conceitos de eficiência versus equidade. E uma má escolha pode gerar uma situação em que 80% dos efeitos venha de 20% das causas: as escolhas erradas.
No mundo do economês, tudo passa pela macroeconomia. O eleito terá condições de direta ou indiretamente definir inúmeras ações. Haja vista as recentes decisões do atual incumbente ao protagonizar decisões que sugerem objetivo eleitoreiro e afetam gravemente a Política Fiscal e a Política Monetária, irmãs siamesas. E, com verve prolixa, alardear isso sem qualquer accountability. Paralelamente, influencia a Política Cambial. É na macroeconomia que se define como o futuro é construído. E é exatamente essa dimensão econômica que o novo incumbente terá mente e mãos para arquitetar a prosperidade da coletividade que representa. Os eleitores atuantes na iniciativa privada terão melhores, as mesmas ou piores condições de escreverem a História do futuro.
Por fim, estarão sujeitos às definições da Política de rendas, uma das quatro grandes políticas macroeconômicas que afetam salários, dividendos e lucros . Com destaque para programas sociais de transferência direta como Bolsa-Família.
A microeconomia são as árvores. A macroeconomia, a floresta.

Antonio Marcus Machado
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