Presidente do Paraguai renuncia após crise bancária e ameaça de impeachment
Santiago Peña decidiu deixar o cargo após o colapso do Banco Ueno e o avanço de um processo de impeachment no Congresso
· Atualizado em · 3 min de leitura
O presidente do Paraguai, Santiago Peña, decidiu renunciar ao cargo nesta quinta-feira (5), em meio a uma crise política provocada pelo colapso do Banco Ueno, uma das principais instituições financeiras digitais do país. A decisão foi noticiada enquanto o Congresso paraguaio avançava na análise de um pedido de impeachment contra o mandatário.
A saída de Peña, que assumiu a Presidência em agosto de 2023, foi divulgada pelo portal Metrópoles e também noticiada por veículos como Folha de S.Paulo e SBT News. A crise ganhou força após milhares de clientes enfrentarem dificuldades para acessar recursos mantidos no banco, que passou por intervenção das autoridades financeiras paraguaias.
A renúncia ainda depende de formalização e análise pelo Congresso, segundo as informações divulgadas pelo Metrópoles. Com a conclusão do processo, a sucessão presidencial caberá ao vice-presidente Pedro Alliana, conforme as regras institucionais paraguaias.

Como a crise do Banco Ueno atingiu o presidente
O problema que desencadeou a instabilidade política começou no sistema financeiro. O Banco Central do Paraguai determinou a intervenção no Banco Ueno depois que a instituição deixou de atender aos requisitos mínimos de solvência, condição necessária para manter suas operações.
A situação provocou preocupação entre correntistas e investidores. O banco reunia aproximadamente 3 milhões de clientes e mantinha cerca de US$ 850 milhões em depósitos públicos, incluindo recursos ligados ao sistema previdenciário paraguaio, conforme informações divulgadas pela agência Reuters.
O caso ganhou dimensão política por causa da relação anterior de Santiago Peña com o grupo empresarial responsável pela instituição financeira. O presidente foi acionista de uma empresa ligada ao controlador do Banco Ueno até março de 2025.
Essa ligação passou a ser questionada por parlamentares, que apresentaram acusações relacionadas a possíveis conflitos de interesse, utilização irregular de recursos e falhas de fiscalização. As suspeitas são objeto de apuração e não representam, por si só, comprovação de responsabilidade pessoal do presidente.
A crise também provocou mudanças na direção da autoridade monetária paraguaia. Carlos Carvallo, então presidente do Banco Central e ex-dirigente do Ueno, deixou o cargo em meio às repercussões do caso.
Impeachment e sucessão presidencial no Paraguai
A pressão política aumentou quando 35 deputados apresentaram um pedido de impeachment contra Santiago Peña. A iniciativa chegou ao Congresso em um momento de manifestações populares e crescente cobrança por explicações sobre a situação dos depósitos bancários.
O processo ganhou força depois que integrantes do Partido Colorado, legenda do próprio presidente, passaram a apoiar a possibilidade de afastamento. A mudança no posicionamento de aliados ampliou o alcance político da crise e colocou em risco a continuidade do governo.
Pela Constituição do Paraguai, a abertura de um processo de impeachment depende de uma maioria qualificada de dois terços dos deputados presentes. O procedimento envolve também a atuação do Senado, responsável pelo julgamento político.
Com a decisão de Peña de deixar o cargo, o Congresso terá de avaliar a formalização da renúncia. A transição para o vice-presidente Pedro Alliana dependerá da conclusão dos procedimentos institucionais.
O episódio também amplia a atenção sobre a situação financeira do país. Além da mudança no comando do governo, permanece a preocupação com os clientes afetados pela crise do Banco Ueno e com os possíveis desdobramentos das investigações sobre a instituição.
Para o Paraguai, o desafio imediato envolve duas frentes: garantir uma sucessão política dentro das regras constitucionais e buscar respostas para os correntistas que tiveram o acesso ao próprio dinheiro comprometido.
Comentários (0)
- Seja o primeiro a comentar.



