Crise em banco no Paraguai atinge milhões de clientes e causa renúncia no Banco Central
Intervenção no Ueno Bank expõe recursos da Previdência pública, desencadeia investigação criminal e aumenta a pressão sobre o presidente Santiago Peña
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Uma crise financeira envolvendo um dos maiores bancos do Paraguai provocou turbulência no sistema financeiro e no governo do presidente Santiago Peña. O Banco Central determinou, na terça-feira (3), a intervenção no Ueno Bank, após identificar uma grave deterioração dos indicadores de solvência da instituição.
Com aproximadamente 2,9 milhões de clientes, o banco teve suas operações suspensas, incluindo aplicativos, cartões e atendimento nas agências. A decisão deixou milhões de correntistas sem acesso imediato aos serviços financeiros.
Segundo o Banco Central, o índice de solvência do Ueno caiu para menos da metade do mínimo exigido pela regulamentação. O órgão anunciou que utilizará o Fundo de Garantia de Depósitos para ressarcir os clientes, com cobertura de até US$ 38,6 mil por depositante. Cerca de 97% dos correntistas deverão receber integralmente seus valores dentro desse limite.
Dinheiro público
A crise também envolve recursos públicos. O Instituto de Previdência Social do Paraguai (IPS) possui aproximadamente US$ 355 milhões em investimentos no banco. A instituição ainda realiza pagamentos a cerca de 32 mil aposentados. A exposição desses recursos ampliou a preocupação sobre os efeitos da intervenção.
O episódio provocou a renúncia de Carlos Carvallo à presidência do Banco Central. Antes de assumir o órgão regulador, em 2023, ele havia dirigido a instituição financeira que deu origem ao Ueno Bank. A relação profissional levantou questionamentos sobre possíveis conflitos de interesse e a fiscalização exercida pelas autoridades.
Crise afeta governo
A crise também atingiu o presidente Santiago Peña. Ele manteve relações empresariais com o grupo proprietário do banco até março de 2025. A oposição anunciou que pretende discutir no Congresso a abertura de um processo de impeachment contra o presidente e o vice, Pedro Alliana.
O Ministério Público abriu investigação sobre possíveis irregularidades nas operações do banco e determinou a prisão de oito dirigentes e executivos. Entre os pontos apurados estão empréstimos a empresas relacionadas ao grupo controlador. As suspeitas ainda dependem de investigação e comprovação judicial.
Apesar da dimensão do caso, as autoridades paraguaias afirmam que, até o momento, não há sinais de uma crise generalizada no sistema financeiro. O desafio do governo é garantir o ressarcimento dos clientes, proteger os recursos previdenciários e esclarecer as responsabilidades pela deterioração da instituição.
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