EUA passam a exigir declaração de passageiros sobre possível contato com Ebola
Mudança vale para todos os passageiros de voos internacionais com destino aos Estados Unidos. Documento deve atestar que o viajante não esteve no Congo
Por Rodrigo Péret
Repórter Multimídia · · Atualizado em · 3 min de leitura
Quem pretende viajar de avião para os Estados Unidos precisa ficar atento a uma nova exigência sanitária que começou a valer nesta quarta-feira (4), pelo horário de Brasília. Passageiros de voos internacionais com destino ao país precisam assinar uma declaração confirmando que não estiveram na República Democrática do Congo nos 21 dias anteriores à viagem. A determinação foi estabelecida pelo Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC, na sigla em inglês) como medida preventiva diante de um surto de Ebola provocado pelo vírus Bundibugyo na República Democrática do Congo.
A regra vale para todos os passageiros, independentemente da nacionalidade, incluindo cidadãos norte-americanos e estrangeiros com residência permanente no país. Também se aplica a quem utiliza os Estados Unidos como ponto de conexão para chegar a outro destino.
O documento, chamado Traveler Disclosure and Attestation to the United States of America, é uma declaração formal na qual o viajante confirma que não esteve no território congolês durante o período determinado. A exigência também considera quem passou por aeroportos da República Democrática do Congo em conexões, mesmo sem desembarcar da aeronave.
Como preencher a declaração?
O preenchimento deve ser feito antes do embarque e ficará sob responsabilidade das companhias aéreas. Cada empresa poderá estabelecer seu próprio procedimento, desde que respeite as determinações do governo norte-americano.
O documento poderá ser apresentado em papel ou por meio digital, inclusive durante o check-in ou no portão de embarque. Por isso, os passageiros devem consultar a companhia aérea responsável pelo voo para saber como será feita a coleta das informações.
Na declaração, o passageiro deverá informar seu nome completo, confirmar que não esteve na República Democrática do Congo nos últimos 21 dias e assinar o documento, registrando também a data.
O formulário disponibilizado pelo CDC apresenta duas possibilidades: uma para o próprio viajante declarar sua situação e outra para um representante autorizado preencher e assinar em nome de outra pessoa.
Pais, responsáveis legais e acompanhantes autorizados podem realizar o procedimento em nome de menores de idade ou de pessoas que não tenham condições de fazê-lo sozinhas.
As companhias aéreas também deverão manter os registros das declarações por pelo menos 42 dias após a partida do voo com destino aos Estados Unidos.
Quem esteve no Congo poderá viajar?
A determinação estabelece um período de espera de 21 dias para quem esteve na República Democrática do Congo. Nesse intervalo, a pessoa não poderá embarcar em voos com destino aos Estados Unidos.
A contagem é feita em dias corridos. O dia da saída do território congolês é considerado o dia zero, e o primeiro dia completo fora do país inicia a contagem. A viagem aos Estados Unidos poderá ocorrer a partir do 22º dia, desde que os demais requisitos de entrada sejam cumpridos.
A restrição também considera conexões em aeroportos congoleses, mesmo quando o passageiro permanece dentro da aeronave ou não deixa o aeroporto.
Quem se recusar a assinar a declaração também poderá ser impedido de embarcar. Já o fornecimento consciente de informações falsas poderá resultar em responsabilização criminal, incluindo multas e possibilidade de prisão, conforme a legislação norte-americana.
Medida busca conter avanço do Ebola
A nova exigência foi adotada em meio ao avanço de um surto de Ebola na República Democrática do Congo. A doença é provocada por vírus que podem causar quadros graves, com febre, hemorragias e comprometimento de diferentes órgãos.
O atual surto envolve o vírus Bundibugyo, uma das espécies responsáveis pela doença. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a transmissão permanece elevada em áreas do território congolês e já houve registros de casos importados em outros países.
Em atualização divulgada em 23 de outubro, a organização informou que, até o dia 20 daquele mês, haviam sido contabilizados 9.704 casos confirmados e 4.687 mortes nos países considerados no levantamento.
O CDC afirma que a exigência da declaração tem como objetivo reduzir o risco de introdução do vírus nos Estados Unidos. O período de 21 dias foi estabelecido por corresponder ao tempo máximo de incubação considerado para a doença.
A determinação tem validade inicial até 18 de dezembro de 2026 e poderá ser modificada ou prorrogada pelas autoridades norte-americanas.

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