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Quinta-feira, 29 de out. de 2026
LUTO NO CINEMA E NA TELEVISÃO

Patrick Stewart, ícone de ‘Star Trek’ e ‘X-Men’, morre aos 86 anos

Ator britânico morreu em casa, em Los Angeles, após enfrentar Alzheimer e demência; carreira de seis décadas marcou gerações.

Por Redação Painel News

· Atualizado em · 6 min de leitura

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Patrick Hewes Stewart nasceu em 13 de julho de 1940 na cidade de Mirfield na Inglaterra · FOTO: ERIK CARTER / FOR THE TIMES

O ator britânico Patrick Stewart morreu na quarta-feira (28), aos 86 anos, em sua casa, em Los Angeles, nos Estados Unidos. Conhecido mundialmente por interpretar o capitão Jean-Luc Picard, na franquia Star Trek, e o professor Charles Xavier, nos filmes de X-Men, ele enfrentava a doença de Alzheimer e a demência com Corpos de Lewy, segundo comunicado divulgado por sua representante.

O anúncio da morte foi feito nas suas redes sociais nesta quinta-feira (29).

"Anunciamos com grande tristeza o falecimento de Sir Patrick Stewart, ontem, na sua casa em Los Angeles, sob os cuidados carinhosos da sua amada esposa Sunny, após uma breve e comovente jornada com a doença de Alzheimer e demência com Corpos de Lewy", diz o início do comunicado.

De acordo com a declaração, Stewart passou seus últimos momentos cercado pela família e por amigos, em um ambiente de afeto, música, orações e lembranças. A notícia encerra uma trajetória de mais de seis décadas dedicada à atuação, marcada pela versatilidade entre o teatro clássico, o cinema e a televisão.

Últimos trabalhos e despedida das telas

Mesmo após alcançar a consagração internacional, Patrick Stewart continuou ligado a projetos de cinema, televisão e literatura. Um de seus trabalhos mais recentes foi a participação em The Sheep Detectives, produção cinematográfica lançada em 2026.

O ator também permaneceu associado ao universo dos super-heróis da Marvel. Sua participação como Charles Xavier em Avengers: Doomsday, filme anunciado para reunir diferentes personagens da franquia, era aguardada pelo público. O retorno representa mais um capítulo de uma relação artística que começou nos anos 2000 e atravessou diferentes fases dos filmes dos X-Men.

Na televisão, Stewart também ficou conhecido por dar voz a Avery Bullock na animação American Dad!, papel que interpretou por mais de duas décadas. Já no universo de Star Trek, voltou a viver Jean-Luc Picard na série Star Trek: Picard, encerrada em 2023, retomando um dos personagens mais importantes de sua carreira.

Além dos trabalhos audiovisuais, o artista manteve sua ligação com William Shakespeare. Em 2026, participou de uma gravação dos 154 sonetos do dramaturgo inglês, acompanhada de comentários pessoais, reafirmando a importância da literatura e do teatro em sua formação artística.

De uma cidade operária ao reconhecimento mundial

Nascido em 13 de julho de 1940, em Mirfield, no condado de Yorkshire, na Inglaterra, Patrick Stewart cresceu em uma família de origem humilde. Filho de um trabalhador e de uma tecelã, viveu em um contexto social distante do glamour que mais tarde marcaria sua carreira.

O interesse pela interpretação surgiu ainda na juventude. Depois de abandonar a escola aos 15 anos, trabalhou em um jornal local, mas decidiu investir na formação artística. O caminho o levou ao teatro, onde desenvolveu a técnica e a disciplina que se tornariam características de suas atuações.

Em 1966, ingressou na Royal Shakespeare Company, uma das mais importantes companhias teatrais do Reino Unido. Durante cerca de 14 anos, participou de montagens de obras clássicas e aperfeiçoou sua interpretação de personagens complexos, consolidando uma reputação respeitada nos palcos britânicos.

Antes de conquistar o grande público internacional, Stewart já acumulava experiência em produções teatrais e televisivas. A passagem pelo repertório shakespeariano foi decisiva para a construção de seu estilo: interpretações marcadas pela precisão do texto, pela expressividade vocal e pela capacidade de transmitir autoridade sem abrir mão da sensibilidade.

Jean-Luc Picard e a conquista de Hollywood

A virada na carreira veio em 1987, quando Patrick Stewart foi escolhido para interpretar Jean-Luc Picard em Star Trek: The Next Generation. Inicialmente, o ator não tinha certeza de que a série de ficção científica seria um marco profissional. O personagem, porém, se transformou em um dos capitães mais emblemáticos da franquia.

Ao longo de sete temporadas, Picard conquistou o público com sua inteligência, postura diplomática e liderança. Diferentemente de protagonistas movidos apenas pela ação, o personagem frequentemente recorria ao diálogo, à reflexão ética e à negociação para enfrentar conflitos. Stewart ajudou a estabelecer essa identidade, tornando o capitão uma referência para diferentes gerações de espectadores.

O sucesso da série abriu caminho para filmes e outros projetos ambientados no universo de Star Trek. Décadas depois, o ator voltou a interpretar Picard na produção homônima, exibida entre 2020 e 2023.

Em paralelo, Stewart ganhou destaque no cinema ao assumir o papel do professor Charles Xavier, líder dos X-Men, em X-Men, lançado em 2000. O personagem, mentor de mutantes que enfrentam preconceito e perseguição, permitiu ao ator explorar temas como tolerância, convivência e direitos individuais.

A parceria com Ian McKellen, intérprete de Magneto, tornou-se um dos pontos altos da franquia. Embora representassem adversários com visões distintas sobre a relação entre mutantes e humanos, os dois personagens compartilhavam uma história de amizade e respeito, dando profundidade aos conflitos da saga.

Stewart participou de diversos filmes dos X-Men e voltou a interpretar Xavier em produções posteriores, inclusive no universo cinematográfico da Marvel. Com isso, consolidou uma presença rara: a de um ator formado no teatro clássico que conquistou espaço duradouro em duas das maiores franquias da cultura pop.

Reconhecimento, vida pessoal e ativismo

Ao longo da carreira, Patrick Stewart recebeu importantes homenagens. Em 2010, foi condecorado cavaleiro pela rainha Elizabeth II por seus serviços às artes dramáticas, passando a usar oficialmente o título de Sir. Também acumulou indicações a prêmios como Emmy e Tony, além de distinções por seu trabalho no teatro.

Sua vida pessoal também teve influência sobre as causas que apoiava. Em suas memórias, Making It So, publicadas em 2023, o ator relatou episódios de violência doméstica presenciados durante a infância, envolvendo seu pai e sua mãe. A experiência contribuiu para seu engajamento em iniciativas de apoio a sobreviventes de violência doméstica.

Stewart também se envolveu em campanhas humanitárias, na defesa dos direitos humanos, no apoio a refugiados e em ações voltadas ao bem-estar animal. Fora dos palcos e das telas, demonstrava interesse por automobilismo e mantinha uma ligação afetiva com o Huddersfield Town, clube de futebol de sua região natal.

O ator foi casado anteriormente com Sheila Falconer e Wendy Neuss. Em 2013, casou-se com a cantora e compositora Sunny Ozell, que permaneceu ao seu lado até os últimos momentos. Ele deixa dois filhos, Sophia e Daniel, além de familiares, amigos e admiradores espalhados pelo mundo.

Um legado que atravessa gerações

A trajetória de Patrick Stewart representa o encontro entre a tradição teatral britânica e o entretenimento global. Poucos atores conseguiram transitar com tamanha naturalidade entre Shakespeare, dramas televisivos e grandes produções de ficção científica e super-heróis.

Se Jean-Luc Picard simbolizou a razão, a diplomacia e a responsabilidade diante do desconhecido, Charles Xavier representou a busca por convivência em uma sociedade marcada pela intolerância. Em ambos os papéis, Stewart emprestou aos personagens uma humanidade que ia além dos efeitos especiais e das narrativas fantásticas.

Sua morte deixa uma lacuna no cinema, na televisão e no teatro, mas sua obra permanece acessível a novas gerações. Mais do que os uniformes, as naves espaciais e os poderes extraordinários, o que fica é a interpretação de um artista que fez da palavra, da inteligência e da presença cênica suas principais ferramentas.

Patrick Stewart encerra sua trajetória aos 86 anos, mas seus personagens continuam vivos na memória coletiva e na história do entretenimento mundial.

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