Democratas conquistam maioria no Congresso e impõem derrota a Trump
Projeção da CNN aponta vitória histórica do partido na Câmara e no Senado; resultado fortalece a oposição e amplia o poder de fiscalização sobre o governo
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O Partido Democrata caminha para uma vitória histórica nas eleições de meio de mandato dos Estados Unidos, realizadas nesta terça-feira (3). Projeções da CNN indicam que a legenda conquistou maioria tanto na Câmara dos Representantes quanto no Senado, alterando o equilíbrio de forças no Congresso americano e impondo uma derrota política ao presidente Donald Trump.
Para garantir o controle das duas Casas, os democratas ultrapassaram os limites de 218 cadeiras na Câmara e 51 no Senado. A conquista é especialmente significativa porque ocorreu também em estados tradicionalmente republicanos, onde candidatos do partido não venciam disputas para o Senado havia décadas.
Entre os resultados mais expressivos estão as vitórias na Carolina do Sul, no Texas e no Kansas. No Texas, os democratas voltaram a conquistar uma cadeira no Senado depois de 38 anos. Na Carolina do Sul, venceram em um estado no qual Trump havia obtido vantagem de 18 pontos percentuais na eleição presidencial de 2024. No Kansas, a vitória encerrou um intervalo de 94 anos sem um senador democrata eleito pelo estado.
A mudança no comando das duas Casas do Congresso é um acontecimento incomum na política americana. Segundo levantamento citado pela CNN, isso ocorreu apenas duas vezes nos últimos 50 anos em um mesmo ciclo eleitoral.
O resultado representa um revés importante para Donald Trump, que passa a enfrentar uma oposição fortalecida justamente no período final de seu mandato.
Com maioria no Congresso, os democratas terão condições de ampliar a fiscalização sobre as decisões do Executivo, conduzir investigações parlamentares e dificultar a aprovação de propostas do presidente. A mudança também altera a dinâmica das negociações políticas em Washington.
A vitória democrata ocorre em meio a um cenário de desgaste da administração republicana. Entre os fatores que pesaram na avaliação dos eleitores estão a inflação, as tarifas comerciais impostas pelo governo, a guerra no Irã e as preocupações com a conduta pessoal e política do presidente.
Pesquisas com eleitores citadas pela CNN indicaram que mais de seis em cada dez americanos desaprovavam Trump. Dois terços dos entrevistados afirmaram que as políticas do presidente haviam piorado a situação econômica do país.
As eleições conhecidas como Midterms acontecem na metade do mandato presidencial, a cada dois anos. Nesse processo, todos os 435 assentos da Câmara dos Representantes são submetidos à votação, assim como aproximadamente um terço das 100 cadeiras do Senado.
Neste ano, também foram disputados os governos de 36 estados, além de milhares de cargos estaduais e locais.
Embora não escolham diretamente o presidente, as Midterms funcionam como um importante termômetro da aprovação popular do governo. Historicamente, o partido que ocupa a Casa Branca costuma enfrentar dificuldades nesse tipo de eleição.
Com a provável mudança no controle das duas Casas, os democratas passam a ter uma posição mais favorável para influenciar os rumos da política americana. Para Trump, o resultado significa governar os dois últimos anos de seu mandato diante de um Congresso controlado pela oposição.
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