João Coser grava vídeo e declara apoio a candidato no Espírito Santo
Deputado estadual, eleito para a Câmara dos Deputados em 4 de outubro, Coser também é presidente do PT no estado
Por Leandro Manhães
Repórter Multimídia · · Atualizado em · 4 min de leitura

Presidente estadual do Partido dos Trabalhadores (PT), o deputado estadual João Coser, declarou apoio à candidatura de Ricardo Ferraço (MDB) ao Governo do Espírito Santo no segundo turno das eleições de 2026. Em vídeo publicado nas redes sociais, o dirigente pede votos para o atual governador e também reforça a campanha pela reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
A manifestação representa um passo além do posicionamento divulgado anteriormente pelo PT capixaba, que havia orientado filiados e apoiadores a não votarem em candidatos aliados do senador Flávio Bolsonaro (PL), sem declarar apoio explícito a Ferraço.
Ao justificar a decisão, Coser afirmou que o Espírito Santo não pode colocar em risco os avanços conquistados nos últimos anos. O dirigente defendeu a continuidade do projeto político que, em sua avaliação, contribuiu para o desenvolvimento do Estado.
“Eu, que sempre defendi a democracia, o diálogo e o respeito às diferenças, venho até você pedir seu voto para Ricardo Ferraço”, declarou o presidente do PT no vídeo divulgado nas redes sociais.
Do apoio indireto à declaração explícita
A posição anunciada por João Coser ocorre depois de uma primeira manifestação do PT sobre o segundo turno, divulgada em 9 de outubro. Na ocasião, o partido estabeleceu como prioridade a reeleição de Lula e orientou seus integrantes a não votarem em aliados de Flávio Bolsonaro, sem recomendar diretamente o voto no candidato do MDB.
A orientação foi interpretada como um recado contrário a Pazolini, que conta com o apoio do senador do PL na disputa estadual.
A eleição também colocou o PT diante de um cenário diferente daquele projetado para o primeiro turno. O candidato da legenda ao governo, o deputado federal Helder Salomão, terminou a primeira etapa da disputa na terceira colocação, com 15,32% dos votos válidos, e ficou fora da decisão.
Com a candidatura própria encerrada, a legenda passou a discutir como se posicionar diante dos dois nomes que avançaram para o segundo turno.
No resultado de 4 de outubro, Pazolini recebeu 49,65% dos votos válidos, enquanto Ferraço obteve 34,06%. A diferença entre os dois candidatos tornou o eleitorado que apoiou outras candidaturas um dos focos da disputa final.
Uma relação marcada por divergências
O apoio de João Coser ganha relevância quando considerado o histórico de distanciamento entre o PT e Ricardo Ferraço. Embora os dois grupos tenham integrado, em diferentes momentos, o campo político que sustentou a gestão de Renato Casagrande (PSB), a relação do candidato do MDB com os petistas foi marcada por divergências programáticas e episódios de confronto.
Em junho de 2025, quando ainda era vice-governador e se preparava para disputar o Palácio Anchieta, Ferraço chegou a defender publicamente que o PT lançasse candidatura própria ao governo estadual. Na ocasião, argumentou que caberia aos petistas defender o legado do partido e de Lula, sinalizando que não pretendia construir sua candidatura a partir da identidade política da legenda.
Outro episódio importante ocorreu durante o processo de impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT). À época senador, Ferraço votou favoravelmente ao afastamento definitivo da petista, posicionamento que o colocou em um dos lados de uma das disputas políticas mais marcantes da história recente do país.
As diferenças também apareceram na composição do governo estadual. Durante a gestão de Casagrande, o PT integrou a base aliada e ocupou espaço na administração. Depois que Ferraço assumiu o governo, em abril de 2026, com a saída de Casagrande para disputar o Senado, os petistas deixaram a gestão estadual.
A relação entre o partido e o atual governador, portanto, não se caracteriza por uma aliança histórica consolidada, mas por aproximações pontuais e divergências que atravessaram diferentes momentos da política capixaba.
A influência de Casagrande na articulação
A ligação política entre Renato Casagrande e o PT é um dos elementos que ajudam a explicar o ambiente em que o apoio foi anunciado. Ao longo de seus mandatos, o ex-governador construiu uma base de sustentação que reuniu partidos de diferentes campos ideológicos, incluindo os petistas.
Ferraço, por sua vez, foi vice-governador de Casagrande e assumiu o Executivo estadual após a renúncia do antecessor. Apesar da continuidade administrativa, a relação com o PT seguiu um caminho diferente daquele estabelecido durante a gestão anterior.
Na campanha do primeiro turno, as divergências ficaram evidentes nos debates entre Ferraço e Helder Salomão. Os confrontos públicos mostraram que a aproximação agora defendida por Coser não decorre de uma convergência política automática entre os dois grupos.
O novo posicionamento também ocorre em um contexto no qual o eleitorado de centro-esquerda pode ter influência sobre o resultado final. A declaração do presidente estadual do PT oferece uma referência política aos apoiadores da legenda, embora não signifique que todos os eleitores de Helder Salomão necessariamente seguirão a orientação.

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