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ELEIÇÕES 2026

Raio-X da vitória de Pazolini: onde o governador eleito teve mais (e menos) votos

Governador eleito conseguiu controlar reação de adversário, e terá desafios em Brasília e na Assembleia Legislativa para enfrentar

Por Rodrigo Péret

Repórter Multimídia · · Atualizado em · 3 min de leitura

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A vitória de Lorenzo Pazolini (Republicanos) na disputa pelo governo do Espírito Santo encerra oficialmente a Era Hartung-Casagrande no Estado. Apesar de ter terminado a eleição com quase 96 mil votos de vantagem no conjunto do Estado, o desempenho não significou amplo domínio na maioria das cidades: Pazolini venceu em apenas 40 municípios, dois a mais que Ricardo Ferraço (MDB). O resultado mostra que, apesar da derrota, Ferraço melhorou seu desempenho em relação ao primeiro turno, quando Pazolini havia vencido em 48 cidades.

Mapa dos votos de cada candidato no segundo turno · PAINEL NEWS

As maiores margens de Pazolini foram registradas em Venda Nova do Imigrante, Domingos Martins, Santa Maria de Jetibá e Ibatiba, todas com mais de 67% dos votos válidos para o candidato do Republicanos. O melhor desempenho ocorreu em Venda Nova do Imigrante, onde ele obteve 72,28% dos votos válidos.

Já Ferraço teve votações expressivas no norte do Estado, justamente a região em que Pazolini havia concentrado a busca por votos durante a campanha para o segundo turno. Conceição da Barra, Ponto Belo, Apiacá e Pinheiros registraram percentuais superiores a 62% para o candidato do MDB. O maior índice foi registrado em Conceição da Barra, onde ele obteve 68,16% dos votos válidos.

Na Região Metropolitana, Pazolini venceu em Vitória, Vila Velha e Serra, enquanto Ferraço teve melhor desempenho em Cariacica e Viana.

As menores diferenças percentuais foram registradas em Nova Venécia e Santa Leopoldina. Na primeira, Ferraço obteve 50,12% dos votos válidos, contra 49,88% de Pazolini, uma diferença de apenas 70 votos. Na segunda, Pazolini venceu por apenas 27 votos, com 50,18% dos votos válidos, contra 49,82% de Ferraço.

Cenário pós-eleitoral

Ao vencer nos dois turnos, Pazolini consolida a posição do Espírito Santo como um Estado majoritariamente de direita no espectro político, tendência que já vinha se desenhando desde 2014.

Isso não significa, porém, que Pazolini terá vida fácil na relação com a Assembleia Legislativa. Se, por um lado, ele terá pelo menos sete parlamentares com os quais poderá contar inicialmente em sua base — os cinco do PL e os dois do Republicanos —, por outro, terá pelo menos sete deputados na oposição: os três do PT, os três do PSB e Camila Valadão, do Psol.

Em relação aos demais parlamentares, ainda é cedo para fazer previsões. Embora a federação União Progressista tenha mudado de lado entre os turnos da disputa estadual, deixando a campanha de Ferraço para se aliar a Pazolini, ainda não é possível garantir que essa postura será mantida pelos deputados. Já os partidos que permaneceram ao lado do atual governador durante o segundo turno — MDB, Agir e Podemos — também podem compor a oposição a Pazolini.

Portanto, um dos primeiros desafios do governador eleito será demonstrar capacidade de diálogo com o Parlamento. Afinal, os sete deputados eleitos por partidos de sua coligação podem não ser suficientes para garantir vitórias nas votações.

Outro desafio será a relação com o governo federal. Apoiado pelo bolsonarismo, Pazolini terá de dialogar com um governo petista em Brasília. Segundo o próprio governador eleito, isso não será um problema: ele defende o diálogo e evita “esticar a corda” no âmbito nacional. Nesse sentido, é possível que Pazolini adote uma postura semelhante à de Tarcísio de Freitas, em São Paulo, mantendo um relacionamento cordial com o governo federal, apesar das divergências ideológicas.

Revés histórico

Um terceiro desafio será a relação com o ex-governador Renato Casagrande (PSB), que agora será um dos três representantes do Espírito Santo no Senado. Apesar de ter vencido sua disputa eleitoral, Casagrande encerra o pleito deste ano sem cumprir o objetivo de eleger seu sucessor ao governo, em um revés histórico para seu grupo político. Mesmo com um governo bem avaliado pelos capixabas, o grupo não conseguiu superar a força do bolsonarismo presente no Estado.

Resta saber como será a relação entre o governador eleito e Casagrande, que será o único senador capixaba de fora do campo da direita. Com mandato no Senado até 2034, nada impede que o ex-governador volte às urnas já em 2030…

Rodrigo Péret

Repórter Multimídia · Eleições 2026

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