Pesquisas divergem sobre o segundo turno no Espírito Santo
No intervalo de 24 horas, números divulgados por Real Time Big Data e Paraná Pesquisas apontam para cenários eleitorais diferentes no Estado
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A quatro dias da votação, o eleitor que acompanha as pesquisas para o governo do Espírito Santo se depara com dois retratos diferentes da mesma disputa. Dois levantamentos divulgados nesta semana, feitos no mesmo período, colocam o ex-prefeito de Vitória Lorenzo Pazolini (Republicanos) à frente do governador Ricardo Ferraço (MDB), mas discordam sobre o tamanho dessa vantagem. Uma diferença central entre eles está na forma de ouvir o eleitor: um instituto vai até a casa das pessoas; o outro faz contato por telefone e internet.
A Paraná Pesquisas divulgou nesta quarta-feira (21) um levantamento apontando Pazolini com 56,8% dos votos válidos, contra 43,2% de Ferraço. A diferença, de 13,6 pontos percentuais, está bem acima da margem de erro. Nos votos totais, o placar é de 52,4% a 39,8%, com 4,4% de brancos, nulos ou nenhum e 3,4% de indecisos.
Já a Real Time Big Data divulgou na terça-feira (20) uma pesquisa que registra Pazolini com 52% dos votos válidos e Ferraço com 48%. A diferença de 4 pontos, combinada com a margem de erro de 2 pontos para mais ou para menos, caracteriza empate técnico. Nos votos totais, Pazolini tem 46% e Ferraço, 43%, com 8% de brancos e nulos. Na pergunta espontânea, sem apresentação dos nomes, os números são 45% a 42%.
Mesmo período, métodos diferentes
As duas pesquisas foram a campo exatamente no mesmo intervalo, entre 15 e 19 de outubro. A divergência, portanto, não pode ser atribuída a algum fato novo da campanha ocorrido entre um levantamento e outro — e a metodologia ganha peso na explicação.
Na Paraná Pesquisas, que dá vantagem maior para Pazolini, entrevistadores vão até a casa dos eleitores em municípios e localidades sorteados proporcionalmente ao tamanho do eleitorado e aplicam um questionário estruturado. Neste levantamento, foram 1.300 entrevistas.
Na Real Time Big Data, que aponta empate técnico, o contato é feito por ligações automatizadas, gerenciadas por centrais telefônicas, e por mensagens que direcionam o eleitor a questionários na internet. Ferramentas de inteligência artificial auxiliam na triagem e no processamento dos dados em larga escala, com acompanhamento de entrevistadores humanos. Foram ouvidos 1.600 eleitores.
Cada método tem vantagens e limites. A entrevista presencial alcança eleitores sem acesso regular a telefone ou internet, mas depende de encontrar as pessoas em casa e tende a ser mais lenta e cara. Os métodos remotos permitem amostras maiores em menos tempo, mas dependem de quem atende à ligação ou responde à mensagem. Os ajustes estatísticos que cada instituto aplica para corrigir essas distorções também influenciam o resultado final. Ambas as pesquisas estão registradas na Justiça Eleitoral.
O que mostrou o primeiro turno
No primeiro turno, em 4 de outubro, Pazolini recebeu 49,65% dos votos válidos e Ferraço, 34,06%.
Na última rodada antes daquela votação, a Real Time Big Data apontava o cenário inverso, com Ferraço à frente por 47% a 39% dos votos válidos. A Paraná Pesquisas, entre 18 e 22 de setembro, registrava Pazolini com 40% e Ferraço com 38,3% nos votos totais — empate técnico, também abaixo da diferença confirmada nas urnas.
Fichas técnicas
Paraná Pesquisas — 1.300 entrevistas pessoais, presenciais e domiciliares com eleitores do Espírito Santo, entre 15 e 19 de outubro de 2026. Margem de erro de 2,7 pontos percentuais, com nível de confiança de 95%. Custo de R$ 45 mil, pago com recursos próprios do instituto. Registro no TSE: ES-01531/2026.
Real Time Big Data — 1.600 eleitores do Espírito Santo, ouvidos por telefone e questionários online entre 15 e 19 de outubro de 2026. Margem de erro de 2 pontos percentuais. Registro no TSE: ES-06599/2026.
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