Hackers roubam US$ 6,3 bilhões no maior ataque a criptomoedas já registrado
Corretora diz que vai cobrir as perdas dos clientes. Empresas de análise atribuem o roubo a hackers ligados à Coreia do Norte
· Atualizado em · 3 min de leitura

A Binance, maior corretora de criptomoedas do mundo, informou na noite de quinta-feira (29) que hackers roubaram cerca de US$ 6,3 bilhões em ativos digitais. O valor equivale a aproximadamente R$ 33 bilhões. É o maior roubo de criptomoedas já registrado, segundo empresas de segurança e analistas do setor.
O ataque atingiu carteiras da Binance em dez redes de blockchain, os sistemas em que as criptomoedas são registradas. Segundo a empresa de análise TRM Labs, a maior parte do dinheiro foi transferida em cerca de 20 minutos.
Como os hackers entraram
De acordo com a investigação inicial da própria Binance, tudo começou com o laptop de um engenheiro da empresa, que foi comprometido. Pelo computador, o invasor conseguiu acesso a uma parte interna dos sistemas e fez saques sem autorização.
Na prática, os hackers conseguiram mandar as carteiras da Binance transferirem os recursos para carteiras controladas por eles.
Suspeita recai sobre a Coreia do Norte
As empresas americanas TRM Labs e Chainalysis, especializadas em rastrear transações com criptomoedas, atribuem o ataque ao TraderTraitor. É um grupo de hackers ligado ao governo da Coreia do Norte, também conhecido no setor como Lazarus.
Segundo a TRM, o método repete o usado no roubo à corretora Bybit, em 2025, que o FBI atribuiu à Coreia do Norte.
A Binance não confirma a autoria. O co-CEO da empresa, Richard Teng, afirmou que a investigação ainda não atribuiu responsabilidade a ninguém.
O que acontece com os clientes
A Binance afirma que o dinheiro dos usuários está seguro. "Seu dinheiro está seguro e estamos cobrindo todas as perdas", escreveu Teng na rede social X.
A corretora suspendeu temporariamente os saques. Em parceria com outras empresas do setor, já localizou e congelou cerca de US$ 3 bilhões dos valores roubados. Emissoras de stablecoins, criptomoedas atreladas ao dólar, bloquearam parte dos recursos. A Ripple, por exemplo, congelou cerca de US$ 200 milhões.
O fundador da Binance, Changpeng Zhao, que não comanda mais a empresa, disse esperar, como acionista, que todos os fundos dos usuários sejam cobertos integralmente.
Mercado em queda
O ataque derrubou o preço de várias criptomoedas. Ethereum e Solana estão entre as que caíram com mais força. Analistas avaliam que o roubo pode abalar a confiança nos ativos digitais.
Os maiores ataques já registrados
O roubo à Binance supera com folga os casos anteriores.
- Bybit (2025): cerca de US$ 1,5 bilhão, atribuído pelo FBI à Coreia do Norte.
- Ronin Network (2022): cerca de US$ 625 milhões, de uma rede ligada ao jogo Axie Infinity, também atribuído a hackers norte-coreanos.
- Poly Network (2021): cerca de US$ 611 milhões. O hacker acabou devolvendo a maior parte.
A Binance já havia sido atacada em 2019, quando hackers levaram 7 mil bitcoins, cerca de US$ 40 milhões na época.
Se você tem criptomoedas
- Use só os canais oficiais. Notícias de ataque costumam vir acompanhadas de golpes: e-mails, mensagens e sites falsos que pedem senha ou prometem "recuperar" fundos. A Binance não pede senha nem códigos de verificação por mensagem.
- Acompanhe os comunicados da corretora. Informações sobre retomada de saques e cobertura de perdas saem pelo site e pelas redes oficiais da empresa.
- Revise a segurança da conta. Autenticação em dois fatores ativada e senha exclusiva, que não se repete em outros serviços, reduzem o risco de invasão individual.
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