Mulheres são maioria entre quem aposta R$ 500 ou mais no ES, diz estudo
Levantamento da Connect Fecomércio-ES estima que 69,7 mil capixabas gastaram R$ 500 ou mais com apostas em 2024; entre eles, 75,9% eram mulheres
Por Rodrigo Péret
Repórter Multimídia · · Atualizado em · 3 min de leitura
As mulheres representaram 75,9% dos capixabas que gastaram R$ 500 ou mais por mês em apostas esportivas, segundo levantamento do Connect Fecomércio-ES. O estudo, que foi publicado no dia 30 de setembro, estima que 69.788 pessoas estavam nessa faixa de gasto no Espírito Santo. A participação feminina, porém, varia conforme o valor destinado às apostas. Entre os capixabas que gastaram menos de R$ 50, as mulheres representavam 58,3% dos apostadores. Na faixa entre R$ 50 e R$ 99,99, eram 51,2%.
Já entre aqueles que gastaram de R$ 100 a R$ 499,99, os homens eram maioria, com 61,4%. A partir dos R$ 500, entretanto, o cenário se inverte: as mulheres passam a representar 75,9% dos apostadores. O levantamento estima que cerca de 380 mil capixabas com 16 anos ou mais realizaram apostas em aplicativos ou sites nos 30 dias anteriores à pesquisa do DataSenado, realizada em 2024. O número corresponde a 12% dessa população.
A faixa de gasto mais comum era de R$ 100 a R$ 499,99, com aproximadamente 130,9 mil apostadores, o equivalente a 34,5% do total. Na sequência aparecem aqueles que gastaram menos de R$ 50, com 30,5%, e os que apostaram entre R$ 50 e R$ 99,99, com 17,4%.
Já os apostadores que gastaram R$ 500 ou mais representavam 17,6% do total, correspondendo aos 69.788 capixabas estimados pelo estudo. Entre os homens que fizeram apostas, 45% estavam na faixa de R$ 100 a R$ 499,99. Entre as mulheres, 33% gastavam menos de R$ 50. O estudo também aponta que o número total de mulheres que apostaram em 2024 superou o de homens em aproximadamente 25,6 mil pessoas.
Proibição das bets
Os dados sobre o perfil dos apostadores retratam o cenário de 2024. Desde então, o mercado de apostas passou por mudanças no Brasil. Em setembro de 2026, o governo federal editou uma medida que proibiu, em todo o território nacional, a exploração, a oferta, a intermediação e a publicidade de apostas de quota fixa. A modalidade inclui as chamadas bets e os jogos on-line. A mudança ocorreu posteriormente à coleta dos dados de 2024 utilizados pelo estudo para traçar o perfil dos apostadores. Por isso, os números apresentados pelo Connect Fecomércio-ES não refletem os efeitos da nova medida sobre o comportamento dos capixabas.
Quanto os capixabas gastam com bets
Segundo o Connect Fecomércio-ES, os capixabas que realizaram apostas esportivas gastaram, em média, R$ 212,31 por mês em 2024. O valor correspondia a aproximadamente 6,1% do rendimento médio mensal no Espírito Santo, estimado em R$ 3.320. Para efeito de comparação, uma aposta de R$ 500 equivaleria a 30,8% do salário mínimo de R$ 1.621 previsto para 2026.
O levantamento também mostra diferenças de acordo com a renda familiar. Entre os apostadores de famílias com renda de até dois salários mínimos, 59% realizavam apostas de R$ 100 ou mais. Ao todo, eram estimados 186,9 mil apostadores nessa faixa de renda. Desse grupo, aproximadamente 31 mil capixabas comprometiam mais de 15% da renda familiar com apostas esportivas em 2024.
Bets movimentaram quase R$ 400 milhões em junho
Além do perfil dos apostadores, o estudo analisou o volume movimentado pelas bets no Espírito Santo. Em junho de 2026, foram realizadas 7,34 milhões de apostas no Estado, que movimentaram aproximadamente R$ 397 milhões. Na comparação com janeiro de 2025, houve crescimento de 47,5% no número de apostas e de 48,5% no valor total apostado.
O levantamento “Bets, Consumo e Saúde Mental no Espírito Santo” foi elaborado pelo Observatório de Pesquisa da Fecomércio-ES Connect, em parceria com a FAESA Centro Universitário, Senac, Mobilização Capixaba pela Inovação (MCI), Fapes e Secretaria de Estado da Ciência, Tecnologia, Inovação e Educação Profissional (Secti-ES).
Os dados utilizados vêm de diferentes fontes, entre elas DataSenado, Banco Central, IBGE, Ministério da Saúde e Sistema de Gestão de Apostas. Para traçar o perfil e os valores apostados pelos capixabas, o estudo utiliza principalmente dados do DataSenado referentes a 2024.

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