Estudo: maioria dos pequenos negócios crê que fim da escala 6x1 não prejudicará empresas
Levantamento mostrou que 51% dos entrevistados avalia que mudança não traria efeitos para os negócios, enquanto outros 11% crê que impacto será positivo
Por Rodrigo Péret
Repórter Multimídia · · Atualizado em · 3 min de leitura
A maioria dos responsáveis por pequenos negócios no Brasil não acredita que o fim da escala 6x1 terá impacto negativo sobre suas empresas. Levantamento do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) mostra que 51% dos entrevistados avaliam que a mudança não traria efeitos para os negócios. Outros 11% acreditam que o impacto poderia ser positivo.
Somados, os dois grupos representam 62% dos entrevistados. Por outro lado, 27% estimam consequências negativas, enquanto 11% não souberam responder. A pesquisa foi realizada entre 19 de fevereiro e 18 de março deste ano com microempreendedores individuais, microempresas e empresas de pequeno porte. A margem de erro é de 1,1 ponto percentual, com intervalo de confiança de 95%.
Os números indicam uma mudança em relação ao levantamento feito pelo Sebrae em 2024. Na época, 47% afirmavam que o fim da escala 6x1 não teria impacto, 9% projetavam efeitos positivos e 32% previam consequências negativas. O debate ganhou novo impulso na última sexta-feira (14), quando o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, anunciou o encaminhamento da PEC 221/2019 à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). A proposta prevê a redução da jornada de trabalho e o fim do modelo de seis dias consecutivos de trabalho para um dia de descanso.
Microempresas e empresas de pequeno porte divergem
A percepção, no entanto, varia conforme o tamanho do negócio. Entre as microempresas, com faturamento anual de até R$ 360 mil, 47% não esperam impacto com a mudança e 9% preveem efeito positivo. Outros 35% acreditam em consequências negativas. Já entre as empresas de pequeno porte, com faturamento entre R$ 360 mil e R$ 4,8 milhões, 52% projetam impacto negativo. Ainda assim, 35% não esperam mudanças e 6% enxergam possíveis efeitos positivos.
Em alguns setores, a avaliação é mais favorável. Na educação, 82% dos entrevistados disseram que a mudança não teria impacto ou seria positiva. O percentual é de 81% no artesanato, 79% na economia criativa e 71% entre academias e atividades físicas. Também predominam avaliações neutras ou positivas nos serviços empresariais, beleza, turismo, casa e construção e saúde. Até mesmo no agronegócio, onde as opiniões estão mais divididas, 47% não esperam impacto ou projetam efeito positivo, contra 46% que preveem consequências negativas.
Como as empresas pretendem se adaptar
O Sebrae também perguntou aos empresários que esperam impactos negativos quais medidas poderiam ser adotadas. Entre eles, 29% afirmaram que pretendem aumentar os preços de produtos e serviços. Outros 24% disseram que reorganizariam turnos e processos, enquanto 21% cogitam reduzir o número de empregados.
A contratação de MEIs e a redução do horário de funcionamento foram citadas por 14%. Apenas 3% afirmaram que pretendem aumentar o número de funcionários, e 22% ainda não sabem como reagiriam a uma eventual mudança.
Para a pesquisadora Marilane Teixeira, do Centro de Estudos Sindicais e de Economia do Trabalho da Unicamp, a redução da jornada não significa necessariamente queda na produção. Segundo ela, as empresas podem reorganizar processos, melhorar a produtividade e, quando necessário, contratar trabalhadores para manter suas atividades. A discussão sobre o fim da escala 6x1, portanto, envolve não apenas possíveis custos para as empresas, mas também a forma como os ganhos de produtividade podem ser distribuídos entre trabalho, descanso e tempo livre.

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