Militares temem que vitória de Flávio possa criar risco à soberania nacional
Oficiais das Forças Armadas temem que uma aproximação militar com os EUA possa abrir espaço para uma presença americana no país e afetar a soberania
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Uma eventual vitória do senador Flávio Bolsonaro (PL) na eleição presidencial poderá levar a uma maior participação das Forças Armadas no combate ao crime organizado, mas também desperta preocupação entre integrantes da cúpula militar sobre os possíveis efeitos de uma aproximação mais estreita com os Estados Unidos.
A avaliação foi revelada pelo UOL em reportagem do jornalista Cézar Feitoza, publicada nesta quinta-feira (8). Segundo a apuração, oficiais-generais do Exército discutem internamente cenários que poderiam surgir caso Flávio Bolsonaro seja eleito presidente. Entre as possibilidades analisadas está o aumento da cooperação militar entre Brasil e Estados Unidos no combate ao narcotráfico e às organizações criminosas que atuam nas regiões de fronteira.
A cooperação em operações conjuntas, por si só, não é vista como um problema pela maior parte da cúpula do Exército. O temor aparece em um cenário considerado mais sensível: a eventual instalação de uma base militar norte-americana em território brasileiro.
De acordo com o UOL, oficiais-generais avaliam que a presença permanente de uma estrutura militar dos Estados Unidos no Brasil poderia representar um risco à soberania nacional. A preocupação ocorre em meio ao avanço de uma política de segurança liderada pelo governo de Donald Trump na América Latina.
Combate às facções deve ser intensificado
A segurança pública e o combate às organizações criminosas estão entre os principais temas da campanha de Flávio Bolsonaro. O candidato já defendeu uma aproximação maior com os Estados Unidos e a participação brasileira no chamado Escudo das Américas, iniciativa de cooperação em segurança liderada por Trump.
Em conversa com o presidente da Colômbia, Abelardo de la Espriella, Flávio afirmou que pretende incluir o Brasil na aliança caso seja eleito. A proposta prevê cooperação entre os países para combater organizações consideradas narcoterroristas. A possibilidade de uma atuação maior das Forças Armadas brasileiras no combate ao crime organizado também é analisada há cerca de dois anos dentro do Exército, segundo a reportagem do UOL.
O comandante do Exército, general Tomás Paiva, é apontado como defensor de uma cooperação maior na área de segurança, principalmente por meio do compartilhamento de inteligência, equipamentos e informações, sem necessariamente colocar tropas militares diretamente nas ruas.
Fronteiras no centro da preocupação
O avanço do narcotráfico nas fronteiras brasileiras é outro ponto que preocupa os militares. Segundo informações apresentadas pelo Centro de Inteligência do Exército ao Alto Comando, o Brasil seria utilizado como rota para o transporte de grandes quantidades de cocaína produzidas em países como Bolívia, Colômbia e Peru. A extensão da fronteira brasileira, superior a 16 mil quilômetros, é considerada um dos principais desafios para o controle do território.
O plano de governo de Flávio Bolsonaro prevê a criação de um Sistema Nacional de Fronteira e promete ampliar o uso de equipamentos militares, inteligência e tecnologia para combater a entrada de drogas e armas no país. A proposta também prevê uma atuação integrada entre as diferentes forças de segurança.
Relação com os Estados Unidos
A preocupação dos militares ocorre em um momento de maior aproximação dos governos de Trump com países latino-americanos para ações contra o narcotráfico. Os Estados Unidos classificaram o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas em maio. A decisão provocou preocupação no governo brasileiro, que alertou para possíveis consequências econômicas, jurídicas e relacionadas à soberania nacional. Em documento enviado à Câmara dos Deputados, o Itamaraty chegou a afirmar que existe a possibilidade de uso da força militar norte-americana em território brasileiro.
Integrantes das Forças Armadas, porém, já haviam ponderado que a existência de uma possibilidade jurídica ou política não significa que uma ação militar dos Estados Unidos contra o Brasil seja provável. A avaliação, segundo militares ouvidos pela CNN Brasil em julho, é de que todos os cenários precisam ser monitorados, mas não havia naquele momento indicação concreta de uma operação norte-americana em território brasileiro. É nesse contexto que a possibilidade de uma base militar dos Estados Unidos no Brasil aparece como um dos cenários considerados mais preocupantes pela cúpula militar, segundo a apuração Feitoza para o UOL.
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