A trajetória de Lorenzo Pazolini, de delegado a governador
Eleito com 52,17% dos votos válidos, ex-prefeito de Vitória chega ao Palácio Anchieta aos 44 anos
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Em 2015, Lorenzo Pazolini era um delegado da Polícia Civil que começava a ficar conhecido dos capixabas pelas entrevistas sobre casos de crimes contra crianças e adolescentes. Onze anos depois, aos 44 anos, foi eleito governador do Espírito Santo.
Pazolini (Republicanos) venceu o governador Ricardo Ferraço (MDB) no segundo turno deste domingo (25), com 1.151.818 votos, ou 52,17% dos votos válidos. Ferraço recebeu 1.056.119 votos (47,83%). A diferença foi de 95.699 votos.
A vitória encerra um ciclo de mais de duas décadas na política capixaba. Desde 2002, apenas dois nomes haviam vencido as eleições para o governo do Estado: Paulo Hartung, eleito em 2002, 2006 e 2014, e Renato Casagrande, vitorioso em 2010, 2018 e 2022. Pazolini será o quinto governador do Espírito Santo neste século, depois de José Ignácio Ferreira, Hartung, Casagrande e Ferraço.
Os concursos e a DPCA
Nascido em Vitória em 20 de maio de 1982 e criado no bairro Jardim da Penha, Pazolini é formado em Direito pela Faculdade de Direito de Vitória (FDV) e pós-graduado em Gestão de Segurança Pública. Construiu a carreira no serviço público por meio de concursos. Aos 23 anos, tornou-se auditor de controle externo do Tribunal de Contas do Espírito Santo (TCE-ES). Em 2007, foi aprovado para delegado da Polícia Civil.
A projeção veio a partir de 2015, quando assumiu a Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA). À frente da unidade, ganhou destaque no combate a crimes contra menores, e a exposição frequente na imprensa o transformou em um nome conhecido no Estado.
É casado com a promotora de Justiça Paula Pazolini, com quem tem uma filha, Lorena, de 18 anos, que votou pela primeira vez neste domingo.
Ascensão rápida
A primeira eleição veio em 2018. Pelo PRP, Pazolini foi eleito deputado estadual como o segundo mais votado do Espírito Santo, com 43.293 votos. Com a extinção do partido, filiou-se ao Republicanos.
Dois anos depois, disputou a Prefeitura de Vitória. Liderou o primeiro turno com 30,95% dos votos válidos e venceu o ex-prefeito João Coser (PT) no segundo, com 58,50%. Assumiu a prefeitura em janeiro de 2021, em plena pandemia.
Em 2024, foi reeleito ainda no primeiro turno, com 105.599 votos (56,22%). A gestão manteve altos índices de aprovação: em agosto de 2025, pesquisa Paraná Pesquisas apontou 79,7% de aprovação, o segundo melhor índice entre os prefeitos de capitais avaliados pelo instituto.
Durante os anos na prefeitura, Pazolini protagonizou embates frequentes com o então governador Renato Casagrande, cujo grupo político ele viria a derrotar em 2026.
O caminho até o Anchieta
Em 4 de abril de 2026, Pazolini deixou a prefeitura para disputar o governo do Estado. O cargo passou para a vice, Cris Samorini. Ao anunciar a candidatura, prometeu aplicar ao Estado o modelo de gestão adotado na capital. "Por aqui deu certo", disse, em vídeo nas redes sociais.
No primeiro turno, em 4 de outubro, ficou perto de vencer sem segunda rodada: teve 1.048.633 votos, ou 49,65% dos válidos. Ferraço recebeu 719.397 (34,06%). Na segunda etapa, Pazolini buscou ampliar a presença no interior e aproximou-se da direita nacional. Após não se posicionar na disputa presidencial no primeiro turno, passou a apoiar o senador Flávio Bolsonaro (PL), que participou de um ato de campanha em Vitória em 17 de outubro.
A aproximação marca uma mudança em relação a 2024, quando o PL lançou candidato próprio em Vitória, o deputado Capitão Assumção, e Jair Bolsonaro não apoiou Pazolini. Em 2026, o PL indicou a vice da chapa: a policial militar da reserva e pastora evangélica Eliane Leal.
Pazolini e Eliane tomam posse em 6 de janeiro de 2027.
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