Ir para o conteúdo
Domingo, 01 de nov. de 202623°C chuva
ALERTA DE GOLPES

ES tem média de 147 golpes por dia; veja os cinco tipos mais comuns

Falso advogado está entre os golpes mais frequentes, segundo a Polícia Civil; veja como criminosos agem e saiba como se proteger.

Por Rodrigo Péret

Repórter Multimídia · · Atualizado em · 5 min de leitura

Compartilhar

O Espírito Santo registrou 40.030 vítimas de golpes entre janeiro e setembro de 2026. Os dados são do Painel de Crimes contra o Patrimônio da Secretaria de Estado da Segurança Pública e Defesa Social (Sesp) e mostram a dimensão das fraudes no Estado: são aproximadamente 147 vítimas por dia.

As abordagens vão desde falsas ofertas de imóveis até mensagens de criminosos que se passam por advogados, funcionários de bancos ou familiares. Em comum, os golpes exploram a confiança das vítimas e, muitas vezes, criam situações de urgência para conseguir dinheiro ou informações pessoais. Embora o painel da Sesp não apresente uma divisão por modalidade, especialistas em segurança identificam cinco tipos de fraude recorrentes no Estado.

Segundo o delegado Jonathan Lana, adjunto da Delegacia Especializada de Crimes de Defraudações e Falsificações (Defa), o golpe do falso advogado se destaca entre os registros. As fraudes imobiliárias e bancárias também estão entre as principais preocupações.

O Painel News reuniu as características dessas cinco modalidades e os cuidados necessários para evitar prejuízos.

1. Golpe do falso advogado

Nesta modalidade, criminosos entram em contato por telefone ou WhatsApp e se apresentam como advogados responsáveis por processos judiciais. Para dar credibilidade à abordagem, utilizam nomes, fotografias e números de inscrição na OAB de profissionais verdadeiros. Em alguns casos, também recorrem à inteligência artificial para imitar vozes e criar comunicações falsas.

O golpe geralmente começa com a notícia de que a vítima tem uma indenização ou outro valor judicial a receber. Para liberar o dinheiro, o criminoso exige o pagamento antecipado de taxas, normalmente por Pix, ou solicita dados pessoais e bancários. O secretário-geral da Ordem dos Advogados do Brasil no Espírito Santo (OAB-ES), Eduardo Sarlo, alerta para o uso da tecnologia na falsificação dessas comunicações. 

“A tecnologia aproximou a Justiça do cidadão, mas também aproximou os golpistas de suas vítimas. Por isso, a confiança jamais pode substituir a verificação”, afirma.

Como evitar: antes de fazer qualquer pagamento, procure o advogado responsável pelo processo por um telefone já conhecido. Também é possível verificar a identidade do profissional na plataforma ConfirmADV, da OAB.

2. Fraudes na compra e venda de imóveis

A promessa de comprar um terreno ou uma casa por um preço atrativo também pode esconder uma fraude. Nesse tipo de golpe, criminosos anunciam imóveis inexistentes ou se apresentam como proprietários e corretores. Documentos falsificados são utilizados para convencer o interessado de que a negociação é legítima. Antes de concluir a venda, os golpistas exigem um sinal ou pagamento antecipado. Depois de receber o dinheiro, desaparecem.

Como evitar: consulte a matrícula atualizada do imóvel no Cartório de Registro de Imóveis, confirme a identidade do proprietário e verifique a documentação antes de transferir qualquer valor. Em negociações com corretores, confira também o registro profissional.

3. Golpe do falso funcionário de banco

A vítima recebe uma ligação de alguém que afirma trabalhar em uma instituição financeira. O criminoso pode utilizar recursos que fazem o número exibido na tela parecer o telefone oficial do banco. Durante a conversa, o falso atendente informa que houve uma movimentação suspeita ou tentativa de invasão da conta. Para resolver o suposto problema, orienta a vítima a transferir dinheiro para uma conta considerada segura ou instalar aplicativos que permitem acesso remoto ao celular. A Federação Brasileira de Bancos (Febraban) alerta que instituições financeiras não solicitam transferências, senhas ou instalação de aplicativos para resolver irregularidades por telefone.

Como evitar: desligue a ligação e procure o banco diretamente pelo aplicativo ou pelos canais oficiais. Nunca compartilhe senhas, códigos de autenticação ou dados bancários durante contatos inesperados.

4. Fraudes envolvendo o Pix

Os criminosos também utilizam o sistema de pagamentos instantâneos para aplicar diferentes golpes. Uma das práticas envolve comprovantes falsificados ou referentes a transferências apenas agendadas. O golpista apresenta o documento como prova do pagamento, mas o dinheiro não entra na conta da vítima.

Outra modalidade é o chamado golpe do Pix errado. O criminoso afirma ter feito uma transferência por engano e pede a devolução do valor, muitas vezes para uma conta diferente da utilizada no suposto pagamento.

Como evitar: confira o extrato bancário antes de entregar produtos, prestar serviços ou devolver qualquer quantia. Se receber um Pix por engano, utilize a função de devolução da própria transação no aplicativo do banco, sem realizar uma nova transferência para outra chave.

5. Clonagem e falsificação de WhatsApp

Nesta fraude, criminosos conseguem acesso indevido a uma conta de WhatsApp ou criam um perfil falso utilizando a fotografia e o nome da vítima. Em seguida, entram em contato com familiares e amigos, geralmente com a justificativa de que o número de telefone mudou ou de que surgiu uma emergência financeira.

A intenção é convencer pessoas próximas a realizar transferências via Pix, acreditando que estão ajudando alguém conhecido.

Como evitar: desconfie de pedidos inesperados de dinheiro, mesmo quando parecem partir de familiares. Antes de transferir, ligue para a pessoa por um número já conhecido. Também é importante ativar a verificação em duas etapas no WhatsApp e nunca compartilhar códigos de acesso.

Caiu em um golpe? Saiba o que fazer

Quem sofreu uma fraude deve agir rapidamente. Se houve transferência bancária, o primeiro passo é comunicar a instituição financeira e solicitar a análise da operação. Nos golpes envolvendo Pix, a vítima pode pedir a abertura do Mecanismo Especial de Devolução (MED), disponibilizado pelo Banco Central para casos de fraude. A recuperação do dinheiro, entretanto, não é garantida. Também é importante guardar mensagens, comprovantes de pagamento, números de telefone e outros registros que possam ajudar na identificação dos criminosos. 

No Espírito Santo, o boletim de ocorrência pode ser registrado em uma unidade da Polícia Civil ou, quando a modalidade permitir, pela Delegacia Online.

Para  o advogado e secretário-geral da OAB-ES, Eduardo Sarlo, a principal forma de proteção continua sendo a conferência das informações antes de tomar qualquer decisão. “Qualquer pedido de dinheiro relacionado a processo judicial deve ser confirmado junto ao advogado de confiança e pelos canais oficiais. Em tempos de fraude digital, desconfiar não é paranoia, é sobrevivência”, orienta.

Rodrigo Péret

Repórter Multimídia · Cotidiano

Comentários (0)

  • Seja o primeiro a comentar.

Mais em Cotidiano

Ver seção →