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Segunda-feira, 02 de nov. de 2026
CELEBRACAO DOS MORTOS

Dia de Finados tem raízes em tradições de celtas e romanos

Muito antes da Igreja fixar o 2 de novembro, povos antigos já reservavam datas para lembrar quem morreu. Conheça a história do feriado.

Por Redação Painel News

· Atualizado em · 3 min de leitura

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Cemitérios terão horário especial hoje · DIVULGACAO

Nesta segunda-feira (2), cemitérios do Espírito Santo recebem visitantes com flores, velas e orações. O gesto parece simples, mas reúne mais de mil anos de história cristã. E, por trás dele, há tradições ainda mais antigas, de povos que já marcavam no calendário o encontro entre os vivos e os mortos.

Roma: um mês para os antepassados

Na Roma antiga, a memória dos mortos fazia parte da religião doméstica. Cada família cuidava dos ritos herdados dos antepassados e os passava aos descendentes.

O calendário romano tinha dois ciclos de festas dedicados aos mortos. As Parentalia aconteciam em fevereiro. Durante nove dias, as famílias homenageavam seus mortos com oferendas, sacrifícios e banquetes junto aos túmulos.

Em maio vinham as Lemuria, com outro sentido. Os romanos acreditavam que os mortos enterrados sem os ritos devidos se tornavam espíritos errantes, capazes de perturbar os vivos. A festa servia para apaziguá-los.

Parte dos historiadores vê nas Parentalia um antecedente do costume cristão de visitar os túmulos da família.

Celtas: o fim do verão

Entre os povos celtas das atuais Irlanda, Escócia e País de Gales, a data mais importante do ano era o Samhain. A palavra, de origem gaélica, quer dizer "fim do verão". A festa marcava o fim das colheitas e o início da metade escura do ano.

A celebração começava ao anoitecer, por volta de 31 de outubro, e durava provavelmente três dias. Para os celtas, era o momento em que a fronteira entre o mundo dos vivos e o dos mortos ficava mais fina. Fogueiras eram acesas nesse período.

Os registros sobre o Samhain são escassos, e os historiadores reconstituem a festa com cautela. Ela é apontada como a principal origem do Halloween moderno.

A Igreja organiza o calendário

O cristianismo herdou do judaísmo o costume de rezar pelos mortos. Nos primeiros séculos, os cristãos lembravam seus mártires no aniversário da morte, no local do martírio.

Em 609 ou 610, o papa Bonifácio IV consagrou o Panteão de Roma, antigo templo dedicado a todos os deuses, à Virgem Maria e aos mártires. No século 8, o papa Gregório III dedicou uma capela da Basílica de São Pedro a todos os santos e fixou a data em 1º de novembro. No século seguinte, Gregório IV estendeu a festa a toda a Igreja.

A escolha do 1º de novembro coincide com o Samhain celta. Alguns historiadores veem nisso uma forma de dar sentido cristão a uma data já consagrada. Outros apontam motivos litúrgicos. A questão segue em debate.

O abade de Cluny e o 2 de novembro

Faltava um dia para os mortos comuns, aqueles sem lugar entre os santos. Quem o criou foi Odilo, abade do mosteiro beneditino de Cluny, na França.

Segundo a tradição da Igreja, em 998 Odilo determinou que todos os mosteiros ligados a Cluny dedicassem o dia 2 de novembro à oração, ao jejum e à missa pelos fiéis defuntos. A data seguia a festa de Todos os Santos. A ligação com o dia anterior expressava uma ideia de fé: os santos no céu e os mortos à espera da paz eterna formam uma só comunidade com os vivos.

Cluny era uma das casas religiosas mais influentes da Europa medieval, e o costume se espalhou pela cristandade. Com o tempo, Roma o adotou para toda a Igreja.

Em 1915, durante a Primeira Guerra Mundial, o papa Bento XV autorizou cada sacerdote a celebrar três missas no Dia de Finados. A permissão continua valendo.

No Brasil, feriado desde 2002

O costume de visitar cemitérios em 2 de novembro chegou ao Brasil com os portugueses. Durante muito tempo, porém, o feriado dependeu de leis estaduais e municipais. Ele só se tornou nacional com a Lei nº 10.607, de dezembro de 2002, sancionada pelo presidente Fernando Henrique Cardoso.

Hoje, a data reúne católicos, fiéis de outras tradições e pessoas sem religião. Em comum, um gesto que romanos e celtas já conheciam: reservar um dia para quem partiu.

SERVIÇO

Horário dos cemitérios municipais na Grande Vitória nesta segunda-feira (2)

Vitória (Maruípe e Santo Antônio): das 8h às 17h. Velas só nos cruzeiros.

Vila Velha: das 8h às 17h. O Cemitério Santa Inês funciona das 7h às 18h.

Serra: das 8h às 17h, com missas ao longo do dia.

Cariacica: das 6h às 18h.

Viana: das 7h às 18h.

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