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Segunda-feira, 02 de nov. de 2026
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Quanto a violência custa ao Brasil?

Por Gustavo Debortoli

Olhar Seguro · · Atualizado em · 3 min de leitura

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CUSTO ECONÔMICO DA VIOLÊNCIA · ILUSTRAÇÃO CRIADA POR IA

Quando buscamos indicadores para avaliar os custos da violência no Brasil, quase que instantaneamente somos levados a analisar o número de homicídios, latrocínios ou de mortes em confrontos com a polícia. Esses dados são fundamentais para compreender a questão, mas no que se refere aos custos financeiros, revelam apenas uma parte do problema. Há um custo econômico e social envolvido que vai muito além das estatísticas criminais: um alto consumo de recursos públicos, a redução da produtividade, o aumento das despesas privadas com segurança e o comprometimento de investimentos que poderiam impulsionar o desenvolvimento do país.

Mas quanto realmente se perde com a criminalidade?

Um estudo do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), publicado em 2017, estimou que a violência no Brasil custou cerca de US$ 75,9 bilhões em 2014, o que equivale a 3,14% do PIB daquele ano. Outra pesquisa do BID, mais recente, calculou que os custos diretos do crime na América Latina e no Caribe alcançaram por volta de 3,44% do PIB regional em 2022.

Ainda que esses percentuais, não sejam definitivos, pois se referem a períodos, abrangências e estimativas diferentes, revelam a dimensão econômica da violência para a economia nacional.

A conta começa com os gastos públicos. Polícias, sistema prisional, sistema de justiça criminal e atendimento às vítimas exigem recursos significativos. Quanto maior a violência, maior a pressão sobre os orçamentos da União, dos Estados e Municípios que precisam primordialmente financiar educação, saúde, infraestrutura e assistência social.

Há também uma serie de custos privados envolvidos. Empresas e famílias investem em vigilância, alarmes, câmeras, seguros e proteção patrimonial. O dinheiro destinado a essas medidas poderia, por exemplo, ser empregado em expansão de negócios, investimentos produtivos ou mesmo no consumo das famílias.

Um levantamento recente da Confederação Nacional da Indústria (CNI) divulgado em 2026 apurou que os crimes e o mercado ilegal provocam perdas estimadas em pelo menos R$ 107 bilhões ao ano para o setor industrial, incluindo despesas com segurança e prejuízos comerciais.

O custo humano tampouco aparece integralmente nas contas públicas. Homicídios retiram pessoas do mercado de trabalho, interrompem trajetórias profissionais e deixam famílias sem renda. Sobreviventes de agressões podem precisar de cirurgias, internações, reabilitação e afastamento do trabalho. Há ainda consequências psicológicas e efeitos duradouros sobre crianças e comunidades.

E existe um custo ainda menos visível: os investimentos que deixam de acontecer. Quando empresas são expostas à insegurança, tendem naturalmente a reduzir ou mesmo desistir do investimento, afetando comércio, turismo e circulação de pessoas.

Vale lembrar entretanto que os gastos em segurança não devem ser confundidos com desperdício. Ao contrário. Policiamento, investigação, prevenção e Justiça são funções essenciais do Estado. A grande questão é saber se os recursos empregados produzem realmente resultados proporcionais ao investimento.

Chamo atenção mais uma vez para a necessidade de avaliação contínua das políticas públicas de segurança. Não apenas quantificando operações policiais, prisões ou volume de apreensões, mas avaliando permanentemente os crimes evitados e os custos resultantes.

Por fim, é preciso entender que o preço da violência não se resume ao volume de dinheiro gasto para combatê-la. Inclui também tudo aquilo que a sociedade deixa de produzir, investir e viver por causa dela. Sob tal perspectiva, reduzir a criminalidade não se trata apenas uma questão de segurança pública, mas parte fundamental da política de desenvolvimento econômico e social de uma nação.

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