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ELEIÇÕES 2026

Quais são as propostas de cada candidato ao governo do ES?

Planos de governo apresentados à Justiça Eleitoral detalham projetos para áreas como saúde, educação, segurança, mobilidade, emprego, infraestrutura, habitação

Por Rodrigo Péret

Repórter Multimídia · · Atualizado em · 12 min de leitura

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Os cinco candidatos ao Governo do Espírito Santo nas eleições de 2026 apresentam propostas para diferentes áreas da administração estadual, com projetos que vão da ampliação da rede pública de saúde e educação à criação de novos sistemas de transporte, mudanças na segurança pública e políticas de geração de emprego.

Breno Barcelos (Missão), Helder Salomão (PT), Lorenzo Pazolini (Republicanos), Rafael Demuner (UP) e Ricardo Ferraço (MDB) registraram planos de governo para o período de 2027 a 2030. Os documentos apresentam propostas próprias para serviços públicos, infraestrutura e desenvolvimento econômico, além de medidas para meio ambiente, agricultura, habitação e tecnologia.

Veja os principais projetos apresentados:

Saúde

Na saúde, os cinco programas tratam da ampliação da oferta de serviços, redução de filas e utilização de tecnologia, mas apresentam estratégias diferentes para organizar a rede estadual.

Breno Barcelos propõe criar o Prontuário Único de Saúde do Espírito Santo (PUS-ES), uma base central para reunir informações clínicas dos pacientes atendidos pela rede estadual e, progressivamente, pelas redes municipais. O objetivo apresentado no programa é permitir a integração dos dados e evitar repetição de informações e procedimentos. O plano também prevê interiorizar exames e consultas com especialistas e ampliar a utilização de telemedicina, incluindo salas de telessaúde e atendimento remoto em localidades menores.

Helder Salomão prevê ampliar a oferta de consultas e exames especializados e fortalecer a atenção básica. O programa também inclui a ampliação da rede de saúde mental e ações específicas para grupos como pessoas neurodivergentes, mulheres, população negra, povos indígenas, quilombolas e comunidades tradicionais. A proposta é integrar os serviços de saúde às demais políticas sociais e ampliar a capacidade de atendimento do SUS no Estado.

Lorenzo Pazolini propõe concluir as obras do Hospital Geral de Cariacica e do Complexo de Saúde Norte, em São Mateus, além de iniciar a construção de um hospital infantil. Outra proposta é criar uma Central Estadual de Regulação para reduzir o tempo de espera por consultas e exames. O plano prevê ainda ampliar a Rede de Atenção Psicossocial, com CAPS nos municípios-polo, e levar atendimento de saúde para dentro das escolas estaduais.

Rafael Demuner propõe alterar o modelo de gestão da rede pública, com o encerramento dos contratos com Organizações Sociais e a reestatização da administração das unidades. O programa também prevê concursos públicos, ampliação dos investimentos no SUS, construção e reforma de unidades e regionalização da rede hospitalar para reduzir a concentração de serviços na Grande Vitória.

Ricardo Ferraço propõe consolidar uma rede regional integrada de saúde, com expansão dos polos regionais, fortalecimento da atenção primária e ampliação dos ambulatórios especializados. O programa também prevê concluir grandes obras hospitalares, ampliar serviços de alta complexidade e utilizar ferramentas digitais, como a plataforma Minha Saúde ES, telessaúde e inteligência artificial, na integração e regulação dos atendimentos.

Educação

A ampliação da educação em tempo integral aparece nos programas, acompanhada de propostas para formação técnica, estrutura das escolas, professores e acesso ao ensino superior.

Breno Barcelos propõe criar uma universidade estadual voltada principalmente para ciências exatas, tecnologia e inovação. O programa também prevê aproximar o ensino médio da formação técnica, reforçar a aprendizagem em português e matemática e ampliar o tempo destinado ao planejamento dos professores. Entre as propostas está ainda a expansão das escolas cívico-militares.

Helder Salomão propõe ampliar a educação em tempo integral e melhorar a estrutura física das escolas. O plano também prevê fortalecimento da gestão democrática, maior integração entre escola, família e comunidade e expansão da educação profissional e tecnológica. A formação e as condições de trabalho dos professores também aparecem entre os compromissos apresentados.

Lorenzo Pazolini propõe ampliar o número de escolas em tempo integral, principalmente em áreas de maior vulnerabilidade. O plano prevê ainda os chamados “consultórios nas escolas estaduais”, com atendimento psicológico, odontológico e de assistência social, além de uma refeição adicional na merenda escolar. A conectividade das escolas e ações relacionadas ao bem-estar dos estudantes também fazem parte do programa.

Rafael Demuner apresenta uma proposta chamada “Reforma Popular da Educação”, com participação de professores, estudantes e trabalhadores na formulação das políticas. Entre as medidas estão a ampliação das vagas em creches, redução do número de alunos por turma, educação integral e noturna para filhos de trabalhadores, equipes multiprofissionais nas escolas, concursos públicos e criação de uma universidade estadual. O programa também prevê o fim das escolas cívico-militares e eleição de diretores.

Ricardo Ferraço propõe universalizar o ensino estadual em tempo integral e ampliar programas como Escola do Futuro e Intercâmbio ES. O plano também prevê modernização da educação técnica, com laboratórios de inteligência artificial, robótica e manufatura digital, além da ampliação de espaços de tecnologia na rede estadual.

Segurança pública

O combate ao crime organizado, o uso de tecnologia e a modernização do sistema prisional estão entre os principais pontos dos programas.

Breno Barcelos propõe uma política de reocupação de territórios considerados dominados por organizações criminosas e ações para atingir a estrutura financeira das facções. A proposta prevê integração entre forças de segurança e órgãos de fiscalização. O plano também inclui a criação de uma unidade prisional de segurança máxima.

Helder Salomão propõe fortalecer o combate às organizações criminosas por meio de inteligência e ações voltadas também à estrutura financeira dos grupos. O programa prevê integração de bancos de dados e políticas de prevenção à violência. Também estão previstas medidas de proteção às mulheres, com ampliação da rede especializada de atendimento e ações de prevenção em áreas vulneráveis.

Lorenzo Pazolini propõe ampliar o videomonitoramento no Estado e utilizar inteligência artificial para auxiliar na identificação de pessoas e veículos. O programa também prevê investimentos em inteligência, perícia e modernização do sistema prisional, além de ações específicas de combate a crimes praticados no ambiente digital.

Rafael Demuner propõe fortalecer o policiamento comunitário e ampliar o uso de câmeras corporais pelos agentes de segurança. O programa também trata do fortalecimento da inteligência e da participação popular na formulação das políticas de segurança. A proposta para o sistema penitenciário associa segurança, educação, trabalho e reinserção social.

Ricardo Ferraço propõe ampliar o Cerco Inteligente e incorporar recursos como inteligência artificial e reconhecimento biométrico. O plano prevê ainda quatro novas unidades prisionais e a criação de uma estrutura específica no governo estadual para combater o crime organizado, integrando informações de diferentes órgãos.

Mobilidade e transporte

Na mobilidade, aparecem projetos de novos modais, expansão do transporte coletivo, integração entre diferentes meios de deslocamento e mudanças no modelo de financiamento.

Breno Barcelos propõe uma rede integrada de VLT e BRT na Grande Vitória e estudos para implantação de um metrô metropolitano. O programa também prevê expansão da infraestrutura cicloviária e integração das bicicletas ao sistema de transporte público.

Helder Salomão prevê aprofundar estudos sobre corredores de ônibus e VLT. A tarifa zero no Transcol aparece no programa como uma medida cuja viabilidade econômica, financeira e orçamentária deverá ser estudada. Portanto, o plano não estabelece a implantação imediata da gratuidade, mas a realização de estudos para avaliar a possibilidade.

Lorenzo Pazolini propõe modernizar os terminais do Transcol e melhorar a integração do transporte coletivo na Região Metropolitana. O programa também inclui investimentos em infraestrutura viária para melhorar a circulação e a capacidade das vias.

Rafael Demuner apresenta uma proposta de mudança mais ampla no modelo de transporte público. O programa defende a estatização do transporte coletivo e a implantação do passe-livre para estudantes e trabalhadores. A proposta está inserida em uma política de ampliação do acesso ao transporte público e de redução dos custos de deslocamento da população.

Ricardo Ferraço propõe ampliar o sistema aquaviário, com novas estações, melhorar a operação do Transcol e expandir a rede cicloviária. O programa também prevê uma nova ponte paralela à Cinco Pontes e estruturas para facilitar a integração entre bicicletas, transporte coletivo e sistema aquaviário.

Emprego, renda e economia

Os planos apresentam propostas de qualificação profissional, geração de empregos, crédito, empreendedorismo e desenvolvimento das diferentes regiões do Estado.

Breno Barcelos propõe aproximar a formação profissional das necessidades do setor produtivo, principalmente por meio da educação técnica. O programa também prevê medidas de atração de investimentos e desenvolvimento de infraestrutura logística e industrial. Entre as propostas estão a criação de hubs industriais associados aos portos e investimentos em infraestrutura para ampliar a atividade econômica.

Helder Salomão apresenta programas de qualificação profissional voltados a jovens, mulheres e trabalhadores mais velhos, além de iniciativas para primeiro emprego, empreendedorismo e economia digital. O programa também trata de políticas para agricultura, portos, logística e desenvolvimento regional.

Lorenzo Pazolini propõe medidas de qualificação, empreendedorismo e acesso a crédito, associando desenvolvimento econômico a turismo, agricultura, ciência e inovação. O plano também prevê a criação de um Fundo para Desenvolvimento Regional Equilibrado, voltado a investimentos e estímulo a novos empreendimentos nas microrregiões do interior.

Rafael Demuner propõe a criação de um salário mínimo capixaba de R$ 3.242 e políticas de emprego, qualificação profissional e geração de renda. O programa também defende redução da jornada de trabalho para 36 horas semanais e o fim da escala 6x1. Na área econômica, prevê linhas de crédito subsidiadas pelo Banestes para pequenos agricultores, cooperativas, pequenos comerciantes, economia solidária e produção habitacional.

Ricardo Ferraço propõe criar um “mapa das profissões do futuro” para identificar as áreas com maior demanda de trabalhadores em cada região e orientar a formação profissional. O programa também prevê requalificação de trabalhadores com mais de 40 anos e relaciona a geração de empregos a investimentos em infraestrutura, logística, inovação e desenvolvimento regional.

Infraestrutura e saneamento

A infraestrutura aparece nos programas tanto como instrumento de desenvolvimento econômico quanto como forma de ampliar a oferta de serviços públicos.

Breno Barcelos apresenta um programa com forte presença de obras de infraestrutura logística, incluindo propostas para rodovias, ferrovias, portos e integração das atividades industriais. O plano também prevê intervenções de mobilidade urbana e projetos para ampliar a capacidade logística do Estado.

Helder Salomão relaciona infraestrutura ao desenvolvimento regional e à logística, incluindo propostas para portos e transporte. O programa também prevê investimentos em saneamento e ações articuladas com municípios.

Lorenzo Pazolini inclui infraestrutura, urbanismo e saneamento entre as áreas de desenvolvimento do Estado. O programa prevê investimentos voltados às cidades do interior, regularização fundiária e obras relacionadas à infraestrutura urbana.

Rafael Demuner propõe reverter privatizações e terceirizações de serviços públicos. Na área de saneamento, defende a reversão das parcerias público-privadas e terceirizações da Cesan e a manutenção da companhia como empresa pública de água e saneamento. O programa também prevê obras públicas de infraestrutura, saneamento e moradia, com contratação de trabalhadores locais.

Ricardo Ferraço apresenta projetos de infraestrutura rodoviária, aeroportuária e urbana. Entre as propostas estão um aeroporto de cargas no Sul do Estado, conclusão do aeroporto das montanhas, obras de macrodrenagem, uma nova ponte na Grande Vitória e universalização do abastecimento de água e do saneamento.

Habitação e assistência social

Na área social, os programas tratam de moradia, regularização fundiária, população em situação de rua e proteção de grupos vulneráveis.

Helder Salomão propõe rever a política habitacional estadual, incluindo subsídios para materiais de construção e formação de mão de obra. O programa também prevê fortalecimento das políticas de assistência social e integração entre diferentes áreas de atendimento.

Lorenzo Pazolini prevê ampliar a regularização fundiária e a entrega de títulos de propriedade. O plano também inclui o programa “Moradia Primeiro”, aluguel social, construção de imóveis de interesse social e medidas de atendimento à população em situação de rua.

Rafael Demuner propõe aluguel social e políticas de emprego, qualificação e geração de renda para pessoas em situação de vulnerabilidade. O programa também prevê casas de abrigo e referência para pessoas LGBT em situação de rua ou vítimas de violência.

Ricardo Ferraço inclui políticas de assistência social, habitação e desenvolvimento urbano entre as ações do programa, associando a expansão dos serviços à infraestrutura e à atuação conjunta com os municípios.

Meio ambiente e mudanças climáticas

A questão ambiental aparece relacionada à recuperação de áreas degradadas, prevenção de desastres, saneamento, agricultura e planejamento urbano.

Breno Barcelos associa sustentabilidade ao desenvolvimento da infraestrutura e da atividade econômica, com propostas de recuperação ambiental e planejamento territorial.

Helder Salomão relaciona a política ambiental à adaptação às mudanças climáticas, ao planejamento territorial e à proteção de comunidades vulneráveis. O programa também incorpora sustentabilidade às políticas de desenvolvimento econômico e regional.

Lorenzo Pazolini propõe ampliar programas de pagamento por serviços ambientais, reflorestamento e recuperação de áreas degradadas. O plano também prevê monitoramento climático e hidrológico e integração de órgãos responsáveis por Defesa Civil, drenagem e infraestrutura.

Rafael Demuner relaciona a política ambiental à gestão pública dos recursos naturais, saneamento e prestação de serviços públicos. O programa também defende uma atuação mais direta do Estado em setores considerados estratégicos.

Ricardo Ferraço propõe ações de reflorestamento, transição energética e criação de uma plataforma estadual de monitoramento climático. As medidas aparecem associadas à adaptação do Estado a eventos extremos e à expansão de uma infraestrutura mais resiliente.

Agricultura, turismo e desenvolvimento do interior

O desenvolvimento dos municípios fora da Grande Vitória aparece nos programas por meio de agricultura, turismo, infraestrutura, qualificação e estímulo às atividades produtivas.

Breno Barcelos associa o desenvolvimento regional à infraestrutura logística e industrial, com propostas de integração entre portos, ferrovias, rodovias e áreas industriais.

Helder Salomão prevê medidas para fortalecer atividades produtivas, agricultura, turismo e logística, além de programas de qualificação profissional voltados às características econômicas de cada região.

Lorenzo Pazolini propõe ampliar a participação da agricultura familiar nas compras do governo estadual, apoiar cooperativas e associações e estimular a agregação de valor à produção. Também prevê ações de regularização fundiária e desenvolvimento do turismo como atividade econômica.

Rafael Demuner inclui crédito público para pequenos agricultores, cooperativas e economia solidária, além de frentes de trabalho e obras públicas no interior. O programa também defende o fortalecimento de atividades econômicas sob maior participação do Estado.

Ricardo Ferraço relaciona o desenvolvimento do interior à infraestrutura, logística, formação profissional e atração de investimentos. O programa prevê direcionar políticas de qualificação e investimentos de acordo com as características econômicas de cada região.

Tecnologia e gestão pública

A tecnologia aparece nos cinco programas como instrumento para modificar a prestação de serviços públicos e melhorar o acompanhamento das políticas.

Breno Barcelos propõe ampliar a digitalização dos serviços e integrar informações, principalmente na área da saúde, além de utilizar tecnologia em segurança, mobilidade e gestão.

Helder Salomão propõe desenvolver uma inteligência artificial capixaba em parceria com universidades e institutos federais. A proposta é utilizar a tecnologia em serviços públicos e reduzir a dependência de grandes plataformas, além de ampliar a digitalização da administração.

Lorenzo Pazolini prevê o uso de inteligência artificial em áreas como segurança e gestão pública e inclui governança, tecnologia e inovação entre os eixos específicos de seu programa.

Rafael Demuner dá maior destaque à participação popular e ao controle social da administração. O programa também prevê formação continuada dos servidores públicos e mecanismos de participação da população na formulação e fiscalização das políticas estaduais.

Ricardo Ferraço propõe ampliar a utilização de dados, inteligência artificial e serviços digitais na administração. Entre as metas está conectar os equipamentos públicos estaduais a uma rede digital de alta capacidade até 2030.

Os cinco planos de governo foram registrados na Justiça Eleitoral e apresentam propostas para o período de 2027 a 2030. Nesta reportagem, as medidas foram organizadas por área temática e descritas conforme os compromissos apresentados nos documentos das candidaturas.

Rodrigo Péret

Repórter Multimídia · Poder

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