O silêncio de quem não se manifesta
Em meio a uma tempestade econômica, política e social, o autor defende a liberdade de imprensa e a fé nas instituições republicanas
Painel Econômico · · Atualizado em · 1 min de leitura
Com toda a isenção partidária que deve sustentar um argumento republicano, a verdade é que o Brasil passa por um momento de tempestade perfeita. Econômica, política e social. Mas há um silêncio ensurdecedor, ao considerarmos que somos mais de 200 milhões de habitantes, ideologicamente quase que igualitariamente divididos entre si enquanto eleitores, substancialmente afônicos. São proporcionalmente poucos os que se manifestam. Talvez, inibidos ou calados pela possibilidade de prisão, cancelamento ou linchamento moral. To whom it may concern, diz a música do Creed!
Considerando os fatos, especialmente o que aconteceu com o debate da Rede Globo, parece que de fato há um fatídico dono do poder: o óbvio ululante de Nelson Rodrigues. Figura polêmica, ele foi um dos maiores cronistas brasileiros e retratava bem o cotidiano e a falsidade do “assim é se lhe parece”, de Pirandello. A liberdade de imprensa é o último reduto, o último bastião da defesa da democracia. Ao ser atacada demonstra a fragilidade de uma sociedade democrática. A toda poderosa rede de comunicação havia, supostamente, comemorado o resultado das últimas eleições em sua redação por entender que havia torcido pela defesa da democracia. Agora, que reclama do ocorrido, deve estar lendo a obra mais conhecida de Mary Schelley para entender onde Viktor errou. Nunca desrespeitei ou desrespeitarei Instituições Republicanas constituídas, nem os resultados de eleições.
Mas sempre lerei o livro de Mary Shelley e ouvirei a música do Creed; e Bob Dylan com sua icônica. “Blowing in the wind”. Também, com atenção, a voz de Nara Leão cantando “Liberdade, Liberdade", de Millor e Autran.
O importante é continuar acreditando nas Instituições republicanas e no Brasil. Desistir, nunca!

Antonio Marcus Machado
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