Voto democrático
Quem vencer as eleições de 4 de outubro herdará três mudanças inadiáveis: política econômica, relação entre os poderes e relações internacionais.
Economista · · Atualizado em · 3 min de leitura
O voto é o principal elemento da democracia. É por meio dele que os eleitores escolhem aqueles que os representarão nas instâncias municipais, estaduais e federais. É um privilégio concedido às sociedades democráticas, obrigatório ou não. Por afetar a vida do coletivo social ele traz em si uma responsabilidade ímpar, que perdura por todo o mandato dos eleitos. Estamos em período eleitoral no Brasil. Esse país parece aprisionado ao desafio de Sísifo, com uma pedra mais pesada e uma montanha mais alta.
Por mais que tenha tentado não consegue alcançar o crescimento econômico e o desenvolvimento social desejado e inadiável. Não por falta de esforço, mas por falta de honradez, competência e altruísmo. Este último, uma palavra criada por Auguste Comte, filósofo francês, para destacar a tendência humana de agir em favor da coletividade. Qualquer que seja o eleito para a presidência da república no próximo dia 4 de outubro de 2026, seus desafios, a meu ver, estão claros. O peso da pedra e a altura da montanha estão delineados.
O primeiro, será mudar a política econômica hoje fundamentada na ótica da demanda agregada inflada com intensa transferência de renda e benefícios. Tem por base o consumo das famílias, o investimento das empresas, os gastos do governo e o saldo da balança comercial. Com o grave endividamento das famílias brasileiras, vítimas de um consumo insustentável, está em curso a destruição da demanda; com uma carga tributária elevada e taxas de juros elevadas, dezenas de empresas pediram recuperação judicial, e reduziram investimentos. Hoje, pontuais; O Governo Central aumentou seus gastos em momento de elevado déficit fiscal; o setor externo tem registrado bons resultados puxado pelas commodities, tanto da pecuária quanto da indústria extrativa.
Será necessário fortalecer o lado da oferta, do Supply-side economics, o qual é resultante do Trabalho, do Capital e da Tecnologia. De forma menos burocrática e menos tributada; com juros mais baixos para a formação de capital bruto e realização de investimentos estratégicos; e geração de conhecimento em ciência e tecnologia aplicada.
O segundo, será mudar as relações institucionais entre os poderes republicanos. Reestabelecer a harmonia republicana e a independência dos poderes constitucionais é decisão inadiável. Personalismos monocráticos e relações não aderentes aos cargos, seja no legislativo, no judiciário ou no executivo, não devem prosperar. Sequer existirem. Há um campo de estudo conhecido como Economia Institucional que trata bem desse tema. O todo tem que ser maior que a soma das partes, ensina Aristóteles em sua obra Metafísica.
O terceiro, mudar a condução de nossas Relações Internacionais. Na diplomacia, o Brasil tem por tradição a neutralidade quando possível e recomendável, e o elevado nível de cultura e inteligência decisória em eventuais conflitos globais, bélicos ou não. Ter por definição própria quem são nossos amigos e nossos inimigos e com o agravante de peremptoriamente expor isso ao resto do mundo em eventos de instituições multilaterais não agrega valor à nossa política externa. Ao contrário, subtrai.
Independentemente de quem seja o escolhido para presidente da república, no meu entender essas são as três mudanças inadiáveis.

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