Júri de ex-secretária acusada de envenenar médico em Vitória é anulado. Veja o motivo
A pedido do Ministério Público, juiz considerou a ré indefesa e dissolveu o Conselho de Sentença. Nova data ainda não foi marcada
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O julgamento de Bruna Garcia Barbosa Marinho, acusada de envenenar com arsênio o cardiologista Victor Murad, de 91 anos, foi anulado na noite desta segunda-feira (26), em Vitória. O juiz Carlos Henrique Rios do Amaral Filho considerou que a ré estava sem defesa adequada e dissolveu o Conselho de Sentença, formado pelos jurados.
O pedido partiu do Ministério Público do Espírito Santo (MPES), responsável pela acusação. Os promotores Leonardo Augusto Cezar dos Santos e Rodrigo Monteiro argumentaram que a ré não tinha uma defesa técnica efetiva, num julgamento em que poderia ser condenada a quase 30 anos de prisão.
O assistente de acusação Waldyr Loureiro, que representa a família do médico, acompanhou o pedido.
Jurados não entenderam as perguntas
Segundo o juiz, os jurados foram consultados três vezes e informaram que não compreendiam as perguntas feitas pelo advogado da ré. Entre os problemas apontados durante a sessão estavam perguntas de difícil compreensão, questionamentos repetitivos, ofensas pessoais à vítima e alegações que não constavam no processo.
Com a anulação, um novo julgamento será marcado, com outros jurados. Antes disso, a ré precisa ter um novo defensor. Ele pode ser escolhido por ela, indicado pela Defensoria Pública ou nomeado pelo juiz.
Defesa contesta a decisão
O advogado Jorge Florentino, que defendia Bruna, discorda da anulação. Em declarações à imprensa, ele reconheceu que a última pergunta que fez era complexa e disse que pretendia reformulá-la. Negou ter desrespeitado a vítima. Florentino afirmou que vai avaliar que medidas tomar, entre elas um possível pedido de suspeição do juiz, e disse que a família da ré estava satisfeita com o trabalho dele.
O advogado Jean de Almeida Dias, que atuava ao lado de Florentino, classificou a anulação como injusta e afirmou que os jurados conseguiam acompanhar os argumentos da defesa.
Por que o próprio acusador pediu a anulação
O Código de Processo Penal permite que o juiz declare o réu indefeso durante o júri. Nesse caso, ele dissolve o Conselho de Sentença e marca nova data, com outro defensor. A regra existe porque, no processo penal, a falta de defesa torna o julgamento nulo.
Na prática, uma condenação obtida sem defesa efetiva poderia ser anulada depois, em recurso. O pedido do MP evita esse risco e garante que o resultado do júri, qualquer que seja, se sustente.
O dia do julgamento
A sessão começou às 9h, no Fórum de Vitória. O primeiro a depor foi o médico. Depois, foram ouvidos a esposa dele, Edna Pancieri, a funcionária que encontrou o arsênio na clínica e um policial civil que atuou na investigação. O pedido de anulação foi feito por volta das 20h30, durante o fim do depoimento do policial.
Segundo a denúncia do MPES, Bruna trabalhava como secretária do cardiologista desde 2013 e cuidava da parte financeira da clínica. A acusação sustenta que ela desviou dinheiro do consultório e passou a envenenar o médico quando os desvios estavam perto de ser descobertos.
O caso veio à tona após a descoberta de um frasco de arsênio num depósito da clínica. De acordo com a denúncia, o produto foi comprado em nome do marido da ré. Um exame toxicológico feito a partir de amostra de cabelo do médico apontou intoxicação prolongada, por pelo menos 15 meses.
Bruna foi presa em outubro de 2025. Ela responde ao processo como ré e não há condenação.
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