El Niño deve aumentar o risco de cheias no Rio Doce a partir de janeiro
Documento do Inmet e de outros órgãos federais prevê chuva acima da média em partes do Sudeste
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O fenômeno El Niño deve ganhar força nos próximos meses e chegar à categoria "muito forte" entre novembro de 2026 e janeiro de 2027. Para o Sudeste, isso significa mais chuva em parte da região e risco maior de cheias, principalmente a partir de janeiro, nas bacias dos rios Doce e Paraíba do Sul. As informações estão no Boletim nº 5 do Painel El Niño 2026-2027, divulgado em outubro pelo Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), segundo reportagem publicada nesta sexta-feira (30) pela CNN Brasil.
O boletim foi feito pelo Inmet com o Inpe, a Agência Nacional de Águas (ANA), o Cemaden, o Serviço Geológico do Brasil (SGB), a Secretaria Nacional de Defesa Civil (Sedec) e o Censipam. Pela previsão, o aquecimento das águas do Pacífico Equatorial, que provoca o fenômeno, deve continuar pelo menos até o fim do primeiro trimestre de 2027. Segundo informações da CNN Brasil, a temperatura da superfície do mar nas áreas central e leste do Pacífico já estava mais de 3°C acima do normal em 26 de outubro.
O que muda para o Espírito Santo
A bacia do Rio Doce atravessa o Espírito Santo e deságua no litoral de Linhares. Por isso, o alerta interessa diretamente aos municípios capixabas da bacia. Entre novembro e janeiro, o boletim prevê chuva acima da média para o Sul e para partes do Sudeste e do Centro-Oeste, além de vazões dos rios acima do normal em parte do Sudeste. Segundo a reportagem, a temperatura deve ficar acima da média em quase todo o país.
O documento lembra que a chuva pode ser irregular. Mesmo em áreas com previsão de menos chuva, podem ocorrer temporais isolados.
Como se preparar
A Defesa Civil dá três orientações à população:
- manter o cadastro atualizado para receber alertas no celular;
- conhecer as áreas de risco do bairro e da cidade;
- saber de antemão quais são os locais seguros e as rotas de saída em caso de emergência.
Também recomenda acompanhar as previsões e os avisos oficiais durante todo o período de chuvas.
Seca e fogo no Norte e no Nordeste
Em outras regiões, o problema é o contrário. De acordo com o boletim citado pela CNN Brasil, a área do Nordeste em seca grave subiu de 16% para 28% entre agosto e setembro. No Norte, essa área dobrou, passando de 4% para 8%. Roraima e as bacias dos rios Negro e Branco estão com o nível dos rios baixo e chuva abaixo do esperado. Mesmo assim, a situação da Amazônia é considerada menos grave que a de 2023 e 2024.
As queimadas também preocupam. A Amazônia Legal registrou 6.542 focos de fogo em agosto, 12.659 em setembro e 11.662 até 23 de outubro. A chegada das chuvas deve reduzir esses números em novembro, mas o El Niño pode tornar essa queda mais lenta. Para o trimestre, o Cemaden classifica 307 municípios em alerta alto para risco de fogo e outros 464 em alerta.
Sul já sente os efeitos
O Sul, por sua vez, passou o segundo mês seguido sem seca, mas a chuva repetida tem elevado o nível dos rios. Na bacia do rio Uruguai, estações do Médio Uruguai passaram das cotas de alerta. As bacias dos rios Caí e Taquari, no Rio Grande do Sul, tiveram inundações em vários municípios. O boletim prevê ainda risco maior de cheias no alto rio Paraguai.
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