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Terça-feira, 03 de nov. de 2026
INSPIRAÇÃO

Aos 13 anos, Rafael Prado já é campeão brasileiro, sul-americano e europeu de jiu-jitsu

Atleta de Vila Velha começou no esporte para sair das telas, transformou a sala de casa em tatame e soma títulos no jiu-jitsu e no wrestling

Por Fernanda Côgo

Repórter Multimídia · · Atualizado em · 4 min de leitura

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Rafael Prado no pódio Pan Kids de Jiu-Jitsu, nos Estados Unidos. · FOTO: ARQUIVO PESSOAL

Em Fort Lauderdale, nos Estados Unidos, Rafael Prado, de 13 anos, subiu ao lugar mais alto do pódio do Pan Kids de Jiu-Jitsu, na categoria No-Gi (sem kimono), em 18 de outubro. Era um dos dois sonhos que ele carregava: “Viajar para os Estados Unidos e ser campeão lá dentro”.

O título americano é o mais recente de uma lista que cresce rápido .Antes dos Estados Unidos, Rafael já era campeão europeu de jiu-jitsu e bicampeão sul-americano. Em 2026, venceu o Campeonato Brasileiro sem kimono (No-Gi). No wrestling, a luta olímpica, foi campeão dos Jogos Escolares Brasileiros (JEBs), na Série Bronze  e subiu ao pódio no brasileiro com kimono (Gi), em terceiro lugar. Hoje, aparece na liderança do ranking internacional da Federação Internacional de Jiu-Jitsu Brasileiro (IBJJF) na categoria Gi.

Do celular ao tatame

Atleta de Vila Velha se consagra campeão em disputa nos EUA. · FOTO: ARQUIVO PESSOAL

O jiu-jitsu não foi a primeira escolha da família. Segundo a mãe, Juliana Vidal Prado, o objetivo era só tirar o filho do celular. Primeiro veio a natação, interrompida quando ela voltou a trabalhar. Depois, o futebol, que não deu certo. Por fim, o jiu-jitsu, que o pai praticou quando era jovem.

No começo, Rafael resistiu. “Queria ficar no conforto de casa, jogando”, lembra. O pai insistiu para que ele continuasse e, aos poucos, o esporte virou paixão. Ele passou o primeiro ano competindo e perdendo, mas não se deixou desanimar. 

“O Rafa nunca desistiu”, diz a mãe.

Uma rotina de atleta

Segundo Juliana, Rafael estuda de manhã e treina durante a tarde, por um período de 7 horas, numa academia de alto rendimento, onde treina com adultos. Pratica wrestling, uma espécie de luta livre que, segundo ela, ajuda no jiu-jitsu, e faz dieta com acompanhamento de nutricionista.

“Estar no tatame já é maravilhoso”, diz Rafael. “Tive que abrir mão de ficar brincando, jogando, para ir treinar, mas isso não é um fardo, é mais uma alegria para mim.” Ele atribui os resultados a “foco, dedicação e disciplina”.

Em casa, a sala virou tatame

A sala da casa de Rafael virou um espaço para treinos. · FOTO: ARQUIVO PESSOAL

A rotina não termina na academia. Na casa da família, a sala deu lugar a um espaço de treino. “A gente não tem mais sala, não tem mais sofá, não tem mais televisão, não tem mais nada. É só um tatame”, conta a mãe.

O espaço é equipado para o treino funcional e para barra, e é usado por Rafael e pelos amigos. “Os amigos dele vêm pra cá, eles treinam juntos”, diz ela. Rafael também a puxa para a atividade física: a mãe fez duas aulas de jiu-jitsu e diz que vai ver se “engrena”. O pai, que já lutava quando jovem, voltou a treinar incentivado pelo filho. 

Rafael com os pais no campeonato nos EUA. · FOTO: ARQUIVO PESSOAL
“O jiu-jitsu transformou nossas vidas”, resume a mãe.

Os Pinschers

Fora do tatame, Rafael apresenta o Podpinscher, podcast compartilhado no YouTube em que ele e mais dois colegas de jiu-jitsu falam sobre esportes de forma inspiradora. O nome vem de uma brincadeira com o professor: o grupo queria ser “caramelo”, como são conhecidos os atletas mais velhos da equipe, e o professor disse que eles seriam “pinschers”, segundo a mãe.

O jiu-jitsu fora da luta

Para Rafael, o esporte vai além do resultado. Na viagem, conheceu mestres que o convidaram a treinar em suas academias nos EUA. 

“O jiu-jitsu não é só a luta, é mais sobre as conexões que fazemos. Em todo lugar você vai encontrar um jiu-jiteiro. E o jiu-jitsu não é rivalidade: é só dentro do tatame. De resto, vira uma amizade.”

A ida aos Estados Unidos teve apoio do Bolsa Atleta de Vila Velha que ajuda em uma parte dos gastos. O programa é voltado a atletas e paratletas de alto rendimento que ficaram entre o 1º e o 3º lugar em competições estaduais, nacionais e internacionais.

Próximos passos

Seu próximo desafio é o Sul-Americano de Wrestling, em Macaé (RJ), que acontece em dezembro. Segundo a mãe, ele já se prepara para a próxima temporada, com a meta de evoluir a cada dia, buscar novos resultados em 2027 e se manter entre os melhores do ranking.

Mais adiante, há outro sonho na mira de Rafael: migrar para o MMA. Mas essa será outra história, a ser contada daqui a alguns anos...

Fernanda Côgo

Repórter Multimídia · Cotidiano

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