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Quarta-feira, 28 de out. de 2026
CAFÉ COM LIDERANÇA

Ikigai na liderança: onde o seu tempo voa no trabalho?”

Quantas ideias boas de uma liderança ficam paradas na gaveta, esperando um tempo que nunca chega?

Por Tatiane Braga

Café com Liderança · · Atualizado em · 2 min de leitura

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Café com Liderança - Ikegai · ILUSTRAÇÃO FEITA POR IA

Recentemente, numa sessão de mentoria, acompanhei uma líder muito comprometida com os resultados da área, que segue as regras, defende o time e entrega. Ao mesmo tempo, ela estava presa a um monte de tarefas que a equipe poderia assumir, e o que descrevia era frustração, cansaço e a sensação de não ser valorizada.

Ao longo do processo, identificamos padrões de comportamento e testamos novas formas de agir. E, vez ou outra, ela chegava com uma novidade, uma ideia de inovação ou de melhoria de processo, com brilho nos olhos, para logo depois admitir que não tinha tempo de tocar nada daquilo.

Até que, numa das conversas, ela mesma percebeu que o tempo que usava para fazer o que era papel da equipe era justamente o tempo que faltava para fazer o que só ela podia fazer. Eu não disse isso a ela, foi ela quem chegou lá, e confesso que saí emocionada daquela reunião.

Essa descoberta me levou de volta a uma palestra que assisti no SXSW 2026, com Mike Bechtel, que foi futurista-chefe da Deloitte e hoje é professor de inovação na Universidade de Notre Dame. Ele falou sobre o ikigai, termo japonês para “razão de ser”, que apresentou como o encontro entre o que a gente ama, aquilo em que é bom, aquilo de que o mundo precisa e o que nos sustenta.

Para descobrir onde está a paixão, Bechtel propõe uma pergunta simples: onde, para você, o tempo voa? No caso da minha mentorada, a resposta aparecia no brilho dos olhos dela quando falava de inovação, só que essa paixão não encontrava espaço na agenda.

O próprio Bechtel contou que, depois de anos sendo muito bom no que fazia, foi promovido para liderar uma área inteira e percebeu que estava ganhando bem, mas não estava amando o que fazia. Isso acontece com muita gente competente, porque aquilo que nos leva à liderança nem sempre é o mesmo que a liderança pede de nós.

Ficar preso a tarefas normalmente está relacionado à responsabilidade e ao compromisso com o resultado. Mas, na posição de liderança, essas qualidades devem aparecer por meio da delegação, que abre espaço para a equipe crescer e ganhar autonomia, enquanto quem lidera volta a ocupar o lugar que só ela ou ele pode ocupar.

Quando isso acontece, todos ganham: a liderança fica mais engajada com o próprio trabalho, a equipe sente que tem a confiança do líder e a empresa passa a receber as ideias que antes ficavam na gaveta.

Hoje essa líder tem um bom motivo para delegar mais, desenvolver a equipe e dar autonomia, e é bonito ver como uma decisão ganha outra força quando nasce de uma conclusão própria.

E você, o que gosta de fazer no trabalho, que traria resultado, mas está sem tempo? Talvez a resposta comece por alguma tarefa que já pode ir para outras mãos.

Referências: palestra “Actionable Ikigai: Career Planning in the Age of AI”, de Mike Bechtel, SXSW 2026.

Tatiane Braga

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Jornalista, Mestre em Sociologia, Especialista em Comunicação para Liderança

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