Seu time sabe conversar sobre política com respeito?
Por Tatiane Braga
Café com Liderança · · Atualizado em · 3 min de leitura

Em períodos de eleição, a política costuma chegar ao trabalho antes mesmo de chegar às urnas, e vale perguntar: como o seu time conversa sobre política, com escuta ou apenas com defesa de posições?
A política raramente mobiliza apenas ideias, ela mobiliza identidade, pertencimento e valores. Quando alguém sente que suas convicções estão sendo ameaçadas, a tendência é responder como quem se defende. É quando a escuta diminui e o diálogo vira discussão. Em períodos de maior agitação, esse debate chega às empresas de um jeito ou de outro, e pedir que as pessoas "evitem falar de política" costuma não resolver, já que o que precisa mudar é a qualidade da conversa.
Recentemente, ouvi uma entrevista da pesquisadora Angela Duckworth, autora dos livros Garra e Situated, no podcast The Curiosity Shop, com Brené Brown e Adam Grant. Angela explicou que o comportamento das pessoas é moldado não só por quem elas são, mas pela situação em que estão.. Entre os elementos dessa situação destaca-se a cultura, que pode ser entendida como o conjunto de sinais sobre o que é aceito e o que não é.
Eu vivi uma versão pequena disso numa banca de jornal, quando acabei no meio de uma conversa política com duas pessoas que eu não conhecia, uma mais à esquerda e outra mais à direita. Eu já esperava o desconforto de costume, mas a conversa seguiu com perguntas e escuta, sem que ninguém precisasse vencer, e fiquei pensando no que tinha tornado aquilo possível. Acho que foi porque ninguém ali sentiu a própria identidade sendo atacada.
A boa notícia para quem lidera é que o ambiente se constrói, e o primeiro passo começa em quem conduz. No SXSW 2026, assisti à palestra da Dra. Megan Holmes, cientista social, que defendeu que o líder precisa se regular antes de tentar regular a equipe, e isso vale ainda mais quando o assunto mexe com convicções. A partir daí, vejo três caminhos práticos para organizar o ambiente e fortalecer o time.
O primeiro é lembrar que neutralidade não é omissão. O líder pode ser neutro em relação a candidatos e, ao mesmo tempo, firme em relação a como as pessoas se tratam. O segundo é não fingir que não vê, já que o que a liderança tolera acaba virando padrão. Além disso, agir cedo, com calma, costuma ser mais leve do que agir tarde, na crise. O terceiro é deslocar o foco do individual para o coletivo, trazendo a conversa de volta para o respeito, a cooperação e os objetivos da equipe, aqueles que todos têm em comum, independentemente de posição política.
Apesar do clima ficar mais tenso, o momento atual pode ser uma boa oportunidade para observar como o time conversa sobre política. O comportamento pode se repetir em outros temas, inclusive inerentes ao trabalho. Medir como está o clima agora pode ajudar a perceber se existe segurança para falar de temas importantes e identificar onde a cultura está forte e onde precisa de atenção, sem que ninguém precise ser julgado por isso.
As eleições passam, mas a cultura da empresa permanece. E cultura é o que se pratica todos os dias. Que lição do hoje pode contribuir para um amanhã melhor?
Muito prazer
Sou Tatiane Braga, jornalista, mestre em Sociologia Política, professora da Fundação Dom Cabral, mentora de lideranças na TB Comunicação. Diariamente acompanho executivos para que tenham a comunicação como aliada para liderar equipes e fortalecer negócios.
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Tatiane Braga
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Jornalista, Mestre em Sociologia, Especialista em Comunicação para Liderança
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