Redes sociais ajudam a aproximar leitores dos livros, diz Carla Madeira
Escritora destacou clubes de leitura, festivais e redes sociais como ferramentas para ampliar o interesse pela literatura
Por Weslei Radavelli e Redação Painel News
Editor · · Atualizado em · 4 min de leitura
A escritora Carla Madeira defendeu, durante a Festa Literária Internacional do Pelourinho (Flipelô), em Salvador, que as redes sociais e os clubes de leitura têm ajudado a aproximar o público dos livros. Autora de obras como Tudo é Rio, A Natureza da Mordida e Véspera, ela participou de uma conversa com o público no Largo do Pelourinho e afirmou que a leitura também pode ser uma forma de estimular o diálogo e a troca de ideias.
Com mais de 1 milhão de exemplares vendidos, Carla Madeira é considerada a escritora de ficção mais lida do Brasil. Para ela, o crescimento dos espaços de discussão sobre literatura representa uma oportunidade de ampliar não apenas o interesse pelos livros, mas também a capacidade de reflexão dos leitores.
“As pessoas estão descobrindo que é legal conversar sobre o que elas leem, concordar, discordar, discutir, entrar com outras vozes, cruzar livros, cruzar informações, criticar, aplaudir, está tudo valendo. E isso é maravilhoso porque é um exercício de troca e tem uma riqueza de ampliar a consciência”, reforçou.
A escritora também destacou a expansão dos clubes de leitura e dos festivais literários como fatores que contribuem para esse movimento. Segundo ela, as redes sociais passaram a ocupar um papel importante nesse processo ao permitir que leitores compartilhem opiniões e descubram novas obras.
“Isso está sendo festejado, está sendo ampliado. E as redes sociais têm um papel superimportante nisso”, completou.
Apesar desse cenário, Carla Madeira avalia que o Brasil ainda enfrenta dificuldades para ampliar o hábito da leitura. Segundo ela, os números do mercado editorial precisam ser analisados levando em consideração a população brasileira e questões relacionadas ao acesso aos livros.ssssss
“Quando se confrontam os números do mercado editorial a esse dado demográfico, não há como negar que o brasileiro lê pouco. Mas tem muitas questões envolvidas nisso que vão desde a educação formal e o incentivo à leitura até o acesso ao livro e locais para se ler”, disse ela à reportagem.
Acesso aos livros ainda é desafio no Brasil
A escritora também defendeu a criação e o fortalecimento de políticas públicas voltadas ao incentivo à leitura e à democratização do acesso aos livros. Dados da pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, divulgada em 2024 pelo Instituto Pró-Livro, apontaram que 47% da população brasileira com 5 anos ou mais se declarou leitora, o equivalente a cerca de 93,4 milhões de pessoas.
Por outro lado, 53% dos entrevistados afirmaram não ter lido sequer parte de um livro nos três meses anteriores à pesquisa. Para Carla Madeira, os números mostram que o acesso à literatura está relacionado a fatores que ultrapassam a simples decisão individual de ler.
“A gente está falando de uma realidade que é muitas vezes diferente de uma certa bolha ali que tem condição de ter acesso a livro, que tem uma casa ou que tem um quarto, que tem uma luz à noite adequada. E aí vai um monte de questões sociais que eu acho que tem impacto sobre isso”, acrescentou.
A autora considera que fatores ligados à educação, ao acesso aos livros e às condições disponíveis para a leitura precisam fazer parte da discussão sobre a formação de novos leitores. Nesse contexto, clubes, eventos literários e redes sociais aparecem como espaços de aproximação entre obras e público.
Carla Madeira anuncia novo livro
Durante a participação na Flipelô, Carla Madeira também revelou detalhes de Quando, novo livro que será lançado ainda neste mês. A obra acompanha a história de uma mãe doente que espera reencontrar o filho, que não vê há 20 anos.
A narrativa se passa em 1986, período marcado pela retomada das eleições diretas no Brasil, e aborda também as marcas deixadas pela ditadura. O livro nasceu durante um período de três perdas vivenciado pela escritora: a morte da mãe, do psicanalista e da sócia.
“Quando começou muito caoticamente. Não tem nada a ver com essa história, com esse luto, eu não faço autoficção. Mas nesse período eu comecei a ler e comecei a querer uma linguagem para dar conta do real. Acho que toda emoção está no corpo. Todo corpo afetado, perturbado, ele quer buscar retornar um estado de equilíbrio, de regularidade. Então, qual é o recurso que ele tem? A linguagem. A gente vai lá na linguagem para reorganizar o corpo”.
Segundo a escritora, a maternidade volta a ocupar um espaço importante na nova obra. O tema também aparece em seus livros anteriores, associado à construção das relações familiares e à formação das primeiras referências de mundo.
“A maternidade é uma coisa que está muito presente nos meus livros. Não só a maternidade, mas essa ideia da família como um lugar fundante, um primeiro lugar que nos recebe no mundo e que vai ser determinante – para o bem ou para o mal. É ali onde acontecem os primeiros pactos civilizatórios. É onde começamos a ter nossa primeira visão de mundo”.
A décima edição da Flipelô foi realizada em Salvador e reuniu escritores, leitores e profissionais ligados à literatura em uma programação dedicada à produção cultural e ao incentivo à leitura.
Comentários (0)
- Seja o primeiro a comentar.




