Progressão das IAs gera preocupação entre especialistas: "Pode matar todos os humanos"
Ex-funcionário do Google foi mais um do segmento a fazer alerta sobre possibilidade; Bill Gates relata ter dialogado sobre a questão com lideranças mundiais
Por Rodrigo Péret
Repórter Multimídia · · Atualizado em · 3 min de leitura

O ex-funcionário do Google DeepMind Bilal Chungtai é o mais recente pesquisador de IA a alertar que a tecnologia poderia "matar todos os seres humanos", afirmando à Reuters que o tempo para evitar esse desfecho pode estar se esgotando.
O alarme público sobre o possível perigo representado pela IA está crescendo, depois que o pesquisador Jacob Coxon, ex-Anthropic e OpenAI, afirmou, na semana passada, que havia pedido demissão, em parte porque "as pessoas que estão desenvolvendo IA acreditam sinceramente que ela poderia matar todos nós até o fim da década".
O cientista da Anthropic Evan Hubinger reagiu então aos comentários de Coxon, afirmando que ele estava correto e que, em sua avaliação, havia uma probabilidade superior a 10% de que a IA pudesse matar todos os seres humanos na próxima década.
Chughtai foi mais um a reforçar a tese. Ele confirmou que deixou a empresa. "Recentemente, pedi demissão do Google DeepMind, onde trabalhava com pesquisas sobre segurança e alinhamento de inteligência artificial geral", declarou. Chughtai, que foi coautor de artigos científicos enquanto esteve no Google DeepMind, trabalhou como engenheiro de pesquisa e deixou a empresa em julho de 2026, segundo seu perfil no LinkedIn. O Google não respondeu a um pedido de comentário feito fora do horário comercial.
Em meio às preocupações recentes, o CEO da Anthropic, Dario Amodei, pediu, no fim de semana, uma desaceleração no ritmo de desenvolvimento da IA avançada. A proposta recebeu o apoio de Elon Musk, da SpaceXAI, e do CEO da OpenAI, Sam Altman, além de provocar um debate sobre o "catastrofismo" em torno da IA.
Bill Gates, cofundador da Microsoft, afirmou que os governos ainda não estão prontos para as mudanças que serão geradas pela IA. "Não acho que nenhum governo esteja nem perto de ter o nível de conhecimento necessário sobre isso", destacou em entrevista à agência de notícias Reuters.
Até recentemente, o bilionário se mostrava otimista em relação à IA, mas mudou de posição e passou a alertar para as ameaças aos empregos, os temores de ataques e os riscos de dependência de companheiros virtuais baseados em IA.
Gates afirmou que vem conversando sobre suas preocupações com líderes mundiais, entre eles Trump, e voltou a falar que pretende se reunir com o líder da China, Xi Jinping, ainda este ano.
Ele disse que os governos precisam trabalhar em conjunto para evitar problemas, comparando a chegada da IA a um filme-catástrofe.
"Há todo tipo de filme em que alienígenas estão chegando e, como num passe de mágica, os Estados Unidos, a China e todos os demais se unem para resolver o problema", disse. "A IA é uma espécie de inteligência alienígena. Ela está aqui, e é melhor fazermos como nesses filmes."
Chughtai foi ao encontro de Gates e afirmou que era possível avançar com segurança no campo da IA, mas que isso exigiria coordenação "para evitar essa corrida desenfreada entre as empresas de IA".
"Precisamos ajustar o ritmo do desenvolvimento da IA a uma velocidade que a sociedade possa suportar, permitindo que os riscos emergentes sejam enfrentados antes que danos extremos se concretizem", avaliou.

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