PF inicia apuração sobre possível intervenção externa nas eleições; TSE nega risco
Por Rodrigo Péret
Repórter Multimídia · · Atualizado em · 3 min de leitura

O diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, explicou neste domingo (4) que a corporação iniciou um procedimento para apurar a possibilidade de as eleições brasileiras sofrerem algum tipo de interferência externa. Também em entrevista coletiva realizada mais cedo, Rodrigues disse que a PF não encontrou provas de que embaixadas instaladas no Brasil estariam sob algum tipo de risco.
Na sexta-feira, 2, a representação diplomática dos Estados Unidos decidiu fechar as portas alegando preocupações com a segurança. Medida similar foi adotada pela Embaixada da Austrália. A abertura do procedimento sobre possível interferência externa, segundo Rodrigues, foi iniciada após a PF receber uma representação da Advocacia-Geral da União (AGU). O trâmite contemplou o encaminhamento ainda ontem para a Diretoria de Inteligência do órgão. Ele detalhou que se trata de uma averiguação em andamento e que, por isso, não foi publicada uma portaria do inquérito, mas que a investigação já está em curso.
A solicitação da AGU, por sua vez, se deu depois que o jornal britânico
revelou que cerca de R$ 5,2 bilhões teriam sido remetidos para grupos do Brasil para evitar abuso de poder judicial do Supremo Tribunal Federal (STF) por meio de um projeto do governo dos Estados Unidos.
Sobre as embaixadas, Rodrigues afirmou que a PF não encontrou qualquer risco efetivo para as embaixadas e tampouco um plano contra essas representações diplomáticas. "Não comprovamos nenhum elemento concreto que nos apontasse algum risco efetivo contra qualquer embaixada. Os elementos colhidos ontem não indicam nada concreto, nenhum plano que a gente tenha identificado", reforçou.
O diretor da PF disse ainda que os casos não conversam entre si até o momento. "São inquéritos separados, mesmo que eventualmente possam se conectar. Esse é um trabalho que a gente faz ordinariamente."
Justiça Eleitoral nega risco
O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Nunes Marques, afirmou que as investigações de inteligência "não apontam qualquer tipo de risco" de interferência estrangeira nas eleições deste ano.
O ministro foi questionado, durante coletiva de imprensa na sede do TSE, sobre decisões de representações diplomáticas de interromper serviços ou emitir alertas de segurança às vésperas das eleições.
"Até o momento, nós não temos nenhum indicativo concreto de interferência internacional. Muito se falava, meses atrás, inclusive no ano passado, que essas interferências poderiam vir através das plataformas", disse o ministro.
"E eu creio que o trabalho conjunto que o TSE fez com as plataformas, não só o plano de conformidade, mas uma parceria e a dedicação que elas tiveram em se conformar à legislação brasileira afastou muitos dos problemas que poderíamos ter. Mas, até agora, não temos nenhum indicativo de nenhuma das nossas salas e equipes dentro do Tribunal de nenhum tipo de interferência estrangeira”, prosseguiu.
Nessa sexta-feira (2), o governo dos Estados Unidos fechou as embaixadas e consulados no Brasil. A embaixada da Austrália também suspendeu as atividades presenciais na capital federal. Reino Unido, Irlanda e Alemanha emitiram alertas para cidadãos em território brasileiro. Segundo o presidente do TSE, relatórios de inteligência não apontaram qualquer risco de interferência. Em 23 de setembro, o PT pediu ao ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), que abra inquérito para investigar supostos episódios de interferência estrangeira nas eleições brasileiras.

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