Nova fábrica de carros elétricos no norte do ES vai montar até 30 veículos por dia
Projeto envolve parceria com montadora chinesa, e deve iniciar as atividades em fevereiro de 2027. Previsão é de criação de até 2 mil empregos no Estado
Por Rodrigo Péret
Repórter Multimídia · · Atualizado em · 6 min de leitura
A fábrica de carros elétricos que será instalada em Jaguaré, no Norte do Espírito Santo, terá capacidade inicial para montar entre 20 e 30 veículos por dia. O empreendimento da E-Motors, empresa brasileira que mantém parceria com as fabricantes chinesas RITOO e FAW prevê investimento de R$ 112 milhões e deve iniciar a produção entre o fim de fevereiro e o começo de março de 2027. Em uma etapa futura de expansão, o projeto pretende criar até 2 mil empregos no Estado.
Os detalhes foram apresentados nesta quinta-feira (15), durante uma coletiva de imprensa promovida pela Nova ES, agência de atração de investimentos do Estado. O encontro reuniu representantes da E-Motors e executivos das empresas chinesas que participam do projeto.
A operação começará em um galpão de aproximadamente 2 mil metros quadrados, que já existe no município e está sendo preparado para receber a linha de montagem. O projeto também prevê uma área de cerca de 10 mil metros quadrados destinada ao armazenamento dos veículos.
Segundo Mercídio Givisiez, CEO da E-Motors, a empresa pretende começar com uma estrutura enxuta, empregando inicialmente entre 10 e 20 trabalhadores. A ampliação do quadro de funcionários dependerá do crescimento da produção e da implantação de novas etapas do empreendimento.
A montagem será realizada com conjuntos de peças importadas da China. A expectativa é que, com o desenvolvimento da operação, parte dos componentes passe a ser produzida no Brasil, estimulando a formação de uma cadeia de fornecedores locais.
Primeiro modelo terá dois lugares e autonomia de 200 km
O primeiro veículo a sair da linha de montagem em Jaguaré será o Emova Pop, versão brasileira de um compacto elétrico conhecido na China como Pony EV. O automóvel terá capacidade para duas pessoas e autonomia estimada de 200 quilômetros por recarga. O modelo foi desenvolvido principalmente para deslocamentos urbanos, como trajetos entre casa e trabalho.
A previsão de preço para o mercado brasileiro é entre os R$ 65 mil e R$ 70 mil. O preço definitivo ainda não foi estabelecido e dependerá de fatores como impostos, custos de importação e despesas relacionadas à montagem nacional.
Uma das particularidades do Emova Pop é sua classificação. Embora tenha aparência de um carro compacto convencional, o veículo deverá ser homologado no Brasil como quadriciclo pesado, categoria prevista nas normas do Conselho Nacional de Trânsito (Contran). Apesar disso, para conduzi-lo, será necessário habilitação idêntica à necessária para um carro tradicional, ou seja, a categoria B.
“A autonomia do veículo é em torno de 200 quilômetros e ele atende a um segmento específico de mercado”, afirmou Eduardo Carvalho, executivo da área de Suprimentos e Parcerias Internacionais da E-Motors, que detalhou que, na China, o veículo possui versões com quatro lugares, mas para atender às regras brasileiras, terá de ter apenas dois lugares e um pequeno compartilhamento para transportar cargas.
Ampliação gradual de peças nacionais
A fábrica começará com a montagem de kits importados, em um modelo de operação que permite iniciar a atividade industrial sem a necessidade de fabricar todos os componentes no país. A estratégia, segundo os executivos, é ampliar gradualmente a participação de peças nacionais, reduzindo a dependência de fornecedores estrangeiros e criando oportunidades para empresas brasileiras.
A E-Motors também pretende expandir sua estrutura industrial após a consolidação da primeira fase. O planejamento divulgado anteriormente inclui uma instalação de aproximadamente 40 mil metros quadrados e a possibilidade de ampliar a capacidade produtiva para até 100 mil veículos por ano. Essas metas, no entanto, dependem dos resultados da operação inicial e de novos investimentos.
Empresa prevê até 2 mil empregos em fase de expansão
Embora a fábrica comece com aproximadamente 10 a 20 trabalhadores, a E-Motors projeta uma ampliação expressiva das contratações no futuro. Durante a coletiva, Givisiez afirmou que o empreendimento poderá chegar a 2 mil funcionários em uma fase mais avançada. A empresa ainda não apresentou um prazo para alcançar esse número.
Além dos postos de trabalho diretos, os executivos destacaram que a instalação da montadora em Jaguaré tende a movimentar outros setores da economia capixaba, especialmente empresas de logística, manutenção, transporte e fornecimento de componentes automotivos, o que deve criar empregos indiretos.
A possibilidade de nacionalizar peças também foi apontada como uma oportunidade de desenvolvimento industrial. Segundo a E-Motors, a intenção não é necessariamente produzir todos os componentes, mas criar condições para que outras empresas brasileiras passem a fornecê-los.
Parceria com chineses pode trazer novos modelos ao Estado
A E-Motors mantém uma parceria com a chinesa RITOO, que utiliza tecnologia e estrutura industrial da fabricante FAW. A colaboração permitirá a montagem do Emova Pop no Espírito Santo e poderá ser ampliada para outros projetos.
Durante a coletiva, Jeff Li, presidente-executivo da RITOO, explicou que a proposta vai além da comercialização de veículos importados, detalhando que o objetivo é desenvolver uma operação local capaz de adaptar produtos às características do mercado brasileiro e, futuramente, contribuir para a criação de tecnologias e soluções próprias.
Li citou uma iniciativa semelhante desenvolvida no México e destacou que a RITOO mantém relações com outras fabricantes chinesas.
Apesar dos planos de expansão, a E-Motors esclareceu que, neste momento, as negociações com os parceiros estão concentradas no Emova Pop. A empresa já havia anunciado a intenção de trabalhar com outros modelos da linha Emova, como o Easy, com capacidade para quatro ocupantes, e o Urban, com espaço para cinco pessoas. Entretanto, ainda não há um cronograma confirmado para a montagem desses veículos em Jaguaré.
A distribuição dos automóveis ficará sob responsabilidade de uma empresa capixaba. Segundo os executivos, as negociações estão avançadas, mas o nome da parceira comercial ainda não será divulgado.
Por que Jaguaré foi escolhida para receber a fábrica?
A escolha de Jaguaré levou em consideração a localização estratégica do município, os incentivos fiscais e a proximidade com importantes corredores logísticos.
Segundo Mercídio, a região oferece vantagens por estar inserida na área de atuação da Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene), além da possibilidade de utilização de incentivos estaduais, como o Compete-ES e o Invest-ES.
O acesso aos portos capixabas também foi considerado. Durante a coletiva, o empresário informou que produtos importados pela companhia já chegam ao país pelo Porto de Vitória.
Para a Nova ES, a instalação da E-Motors reforça o movimento de atração de empreendimentos ligados à indústria automotiva no Norte do Estado.
A região também concentra outros projetos do setor, como a futura fábrica da montadora chinesa GWM, em Aracruz. A expectativa é que esses investimentos contribuam para o desenvolvimento de fornecedores, serviços especializados e novas atividades industriais.
Antes de iniciar a comercialização, a E-Motors ainda precisará concluir a homologação do Emova Pop e finalizar a preparação da estrutura em Jaguaré. O preço definitivo dos veículos e a data de início das vendas também permanecem pendentes de confirmação.

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