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REFORMA TRIBUTÁRIA

Imposto será descontado na hora da compra? Entenda o que muda para 2027

Split payment deve começar no segundo semestre de 2027, de forma opcional e em operações entre empresas; mecanismo, porém, não cria novo imposto.

Por Rodrigo Péret

Repórter Multimídia · · Atualizado em · 4 min de leitura

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O pagamento de uma compra poderá ter uma mudança importante nos bastidores a partir do segundo semestre de 2027. Previsto na reforma tributária, o split payment permitirá separar automaticamente a parcela dos tributos no momento da liquidação financeira, direcionando o valor ao Fisco e repassando o restante ao vendedor.

A previsão inicial é de uso opcional em operações entre empresas. Por isso, o mecanismo não deve ser confundido com uma cobrança adicional para quem paga compras por Pix ou utiliza outros meios de pagamento no comércio. A mudança está na forma de recolher os impostos, e não na criação de um novo tributo. A implementação será gradual, conforme as regras e o cronograma definidos para a reforma tributária.

Como vai funcionar o split payment?

Atualmente, em muitas operações comerciais, a empresa recebe o pagamento e recolhe os tributos posteriormente, conforme as regras aplicáveis. Com o split payment, o sistema de pagamento poderá separar a parcela correspondente aos impostos durante a liquidação da transação. O valor destinado aos tributos será encaminhado ao Fisco, enquanto o restante será repassado ao fornecedor. Para isso, será necessário relacionar as informações da operação comercial, da nota fiscal e do pagamento.

O mecanismo está ligado à implantação de dois tributos previstos na reforma tributária: a Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), de âmbito federal, e o Imposto sobre Bens e Serviços (IBS), administrado por estados e municípios. Eles substituirão gradualmente tributos atuais sobre o consumo. A legislação também prevê uma modalidade simplificada, com cálculo baseado em um percentual preestabelecido da operação. A aplicação dependerá das regras específicas e das características de cada transação.

Quem será afetado no início?

A previsão para 2027 é de utilização facultativa em operações entre empresas. Isso significa que o sistema não será aplicado, nessa primeira etapa, às compras comuns feitas por pessoas físicas em supermercados, farmácias e outros estabelecimentos do varejo. Também não significa que toda transferência entre empresas terá automaticamente uma parcela retida. O mecanismo está relacionado a operações comerciais abrangidas pelas regras do sistema e depende das informações necessárias para vincular a transação ao documento fiscal. A adaptação exigirá atenção das áreas financeira, fiscal e tecnológica das empresas. Será necessário compreender como a separação dos tributos poderá alterar os recebimentos, a conciliação dos pagamentos e o planejamento do caixa.

O consumidor poderá pagar mais caro?

O split payment não cria, por si só, um novo imposto para o consumidor. No entanto, ainda é cedo para garantir que a mudança não terá reflexos indiretos nos preços. Um dos pontos de atenção é o capital de giro. Em determinadas operações, o fornecedor deixará de receber temporariamente o valor integral da venda, já que a parcela dos tributos será direcionada ao Fisco durante a liquidação financeira.

O economista Ricardo Paixão, presidente do Conselho Regional de Economia do Espírito Santo (Corecon-ES), avalia que a reforma tributária também pode abrir espaço para melhorias na gestão das empresas. Em artigo publicado em outubro de 2026, ele destacou que os custos de adaptação podem vir acompanhados de oportunidades para rever processos internos.

“Toda mudança relevante produz custos de adaptação, mas também pode gerar oportunidades. Empresas que utilizarem esse período para conhecer melhor seus números poderão descobrir ineficiências que já existiam antes da própria Reforma”, afirmou.

Paixão argumenta que a revisão tributária pode levar à reavaliação dos custos, da precificação, dos fornecedores e dos contratos. Embora a análise trate da reforma tributária de forma ampla, e não exclusivamente do split payment, ela ajuda a dimensionar o trabalho que as empresas precisarão fazer para se adaptar às novas regras.

Outro ponto em discussão é o efeito do mecanismo sobre o fluxo de caixa. O auditor fiscal Rodrigo Frota destacou que a ferramenta poderia contribuir para a gestão financeira das empresas e reduzir a quantidade de negócios que terminam o período de apuração com saldo credor de tributos. “Isso [novo sistema] fará uma diferença enorme para o fluxo de caixa, diminui o número de empresas com saldo credor no fim do período”, afirmou.  O efeito sobre os preços dependerá de fatores como custos operacionais, necessidade de capital de giro, concorrência e capacidade de repassar despesas. Portanto, não é correto afirmar que o mecanismo provocará automaticamente um aumento generalizado dos preços.

Quando começam os testes?

A Receita Federal informou, em comunicado publicado no último dia 30 de setembro, que os testes de integração entre os prestadores de serviços de pagamento e a Plataforma Pública do Split Payment começam em 15 de outubro. A etapa será realizada em ambiente controlado, para verificar e aprimorar a integração tecnológica. Durante os testes, nenhuma transação será processada de forma definitiva pelo mecanismo, e não haverá impacto sobre operações reais nem sobre os consumidores.

Rodrigo Péret

Repórter Multimídia · Economia

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