Ir para o conteúdo
Sexta-feira, 23 de out. de 2026
VAI OU NÃO VAI?

Impasse ameaça retorno dos supermercados aos domingos no ES

Prazo para o fechamento termina em 31 de outubro, mas ainda não houve acordo; queda no faturamento e falta de funcionários pesam na discussão

Por Rodrigo Péret

Repórter Multimídia · · Atualizado em · 5 min de leitura

Compartilhar

Os supermercados do Espírito Santo podem voltar a abrir aos domingos em novembro, mas a decisão ainda depende de um acordo entre empresários e trabalhadores. A poucos dias do fim do prazo inicial para o fechamento das lojas, as negociações seguem sem uma definição, e a possibilidade de retomada das atividades divide o setor.

De um lado, empresários apontam os impactos econômicos da restrição e defendem a reabertura. De outro, trabalhadores reivindicam a manutenção do descanso aos domingos e melhores condições de trabalho. A dificuldade para contratar funcionários também é um obstáculo para parte dos supermercados.

A restrição começou em 1º de março de 2026 e foi estabelecida inicialmente por oito meses, com possibilidade de revisão a partir de novembro. Agora, a continuidade da medida depende das negociações entre a Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Espírito Santo (Fecomércio-ES), a Associação Capixaba de Supermercados (Acaps) e o Sindicato dos Empregados no Comércio do Estado do Espírito Santo (Sindicomerciários).

Segundo o Sindicomerciários, a segunda rodada de negociação com a Fecomércio-ES foi realizada na semana passada. A entidade patronal ainda não apresentou uma resposta formal às reivindicações dos trabalhadores, e uma nova reunião deverá ser agendada.

Procurada pelo PAINEL NEWS, a Fecomércio-ES confirmou que as negociações continuam, mas informou que ainda não há definição sobre o funcionamento dos estabelecimentos aos domingos. A Acaps também afirmou que a decisão dependerá do entendimento entre as entidades.

Queda na receita 

O presidente da Acaps, João Falqueto, já manifestou interesse na retomada das atividades nesse dia da semana. Entretanto, a reabertura precisa considerar as condições de funcionamento das lojas e a disponibilidade de trabalhadores. Empresários do setor relatam dificuldades para contratar profissionais e manter as operações durante a semana. A escassez de mão de obra chegou a interromper planos de expansão de algumas empresas.

Mesmo com os problemas de contratação, também pesa para os empresários a questão da queda das receitas.  Levantamento da empresa de inteligência de mercado Scanntech identificou uma queda no faturamento dosetor no Estado  nos primeiros meses após a restrição ao funcionamento aos domingos. Em março e abril de 2026, a receita do setor no Espírito Santo recuou 1,3% em relação ao mesmo período de 2025. No mercado nacional, houve crescimento de 0,7%.ntes da medida, nos dois primeiros meses do ano, o varejo alimentar capixaba havia registrado alta de 3% no faturamento, acima do avanço nacional, de 2,3%.

A pesquisa considerou dados de vendas de supermercados e atacarejos. Segundo Felipe Passareli, head de Inteligência de Mercado da Scanntech, a base representa 64% do mercado capixaba no varejo alimentar.

Consumidores mudaram os dias de compra

O levantamento também identificou alterações na distribuição das vendas ao longo da semana. Em março, as vendas cresceram 15% às segundas-feiras e 25,3% às terças, na comparação anual. Em abril, os maiores avanços foram registrados às quartas-feiras, com 14,8%, e às quintas-feiras, com 34,3%.

Parte dos consumidores, portanto, passou a concentrar as compras em outros dias. Algumas redes também ampliaram o horário de funcionamento às sextas-feiras e aos sábados para atender à demanda.

O impacto variou conforme o formato das lojas. Nos atacarejos, o faturamento caiu 5,8% no Espírito Santo, enquanto a retração nacional foi de 0,7%. Entre supermercados com um a quatro caixas, a diferença de desempenho em relação ao Brasil chegou a 6,1 pontos percentuais, segundo o levantamento.

Escala 5x2 pode influenciar a decisão?

A escala 5x2, que prevê cinco dias de trabalho e dois de descanso por semana, também está no centro das discussões. Para o Sindicomerciários, o modelo reforça a defesa da manutenção do descanso aos domingos nos supermercados capixabas.

O sindicato, no entanto, ressalta que a mudança na jornada não garante que os estabelecimentos continuarão fechados nesse dia. “A escala 5x2 representa um importante reforço político e sindical para a manutenção do descanso aos domingos nos supermercados capixabas. Mas é necessário distinguir o fortalecimento dessa reivindicação da garantia jurídica de que os estabelecimentos continuarão fechados”, afirmou a entidade.

A definição sobre a abertura das lojas depende das regras aplicáveis ao setor e do resultado das negociações coletivas.

O que os trabalhadores reivindicam?

Além da manutenção do descanso aos domingos, o Sindicomerciários cobra a ampliação do tíquete-alimentação para outros segmentos do comércio, especialmente o setor lojista. Segundo a entidade, o benefício está atualmente restrito aos trabalhadores de supermercados, e alguns segmentos do comércio lojista ainda resistem à proposta de ampliação.

A pauta inclui ainda a reposição integral da inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), aumento real dos salários e manutenção dos benefícios previstos na convenção coletiva. Entre eles estão os planos de saúde e odontológico e o seguro de vida obrigatórios e gratuitos. As negociações seguem sem previsão confirmada para a assinatura de um novo acordo.

E se não houver acordo até novembro?

A restrição ao funcionamento dos supermercados aos domingos foi estabelecida na Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) 2025-2027, inicialmente por oito meses, com possibilidade de revisão a partir de novembro.

De acordo com o Sindicomerciários, caso as negociações não sejam concluídas até a data-base da categoria, em 1º de novembro, as partes podem buscar um entendimento para prorrogar as condições vigentes, preservar a data-base e assegurar os direitos previstos na convenção.

O sindicato afirma que mantém uma postura favorável ao diálogo e acredita que será possível chegar a um acordo. Se não houver entendimento, a direção deverá discutir quais medidas poderá adotar para defender os interesses dos trabalhadores.

Por enquanto, não há data definida para uma nova rodada de negociação nem decisão sobre a abertura dos supermercados aos domingos a partir de novembro. O funcionamento das lojas dependerá do desfecho das conversas entre empresários e trabalhadores.

Rodrigo Péret

Repórter Multimídia · Economia

Comentários (0)

  • Seja o primeiro a comentar.

Mais em Economia

Ver seção →