Fim da escala 6x1 deve acelerar automação e eficiência energética nas empresas
Especialistas avaliam que a redução da jornada deve estimular investimentos em tecnologia e medidas para diminuir gastos com energia
Por Rodrigo Péret
Repórter Multimídia · · Atualizado em · 2 min de leitura
O fim da escala 6x1 deve acelerar os investimentos em tecnologia e a busca por alternativas para reduzir despesas nas empresas. Com a diminuição da jornada de trabalho, a expectativa é que empresários recorram à automação de processos, à inteligência artificial e à eficiência energética para manter a produtividade e controlar os custos operacionais.
A mudança foi oficializada nesta sexta-feira (16), com a promulgação da Emenda Constitucional 141/2026. A nova regra, que tem início a partir do dia 15 de dezembro deste ano, prevê dois dias de descanso por semana, sem redução salarial. A jornada máxima passará de 44 para 42 horas semanais em 60 dias e chegará a 40 horas após mais um ano.
Para empresas que precisam manter o funcionamento durante períodos prolongados, a reorganização das escalas poderá exigir contratações ou adaptações na rotina de trabalho. Nesse cenário, especialistas apontam que a redução de despesas em outras áreas será fundamental para preservar a competitividade.
O engenheiro eletricista Alexandre Drago, sócio-fundador da Ecosun e cofundador da empresa de tecnologia Bratech, acredita que a mudança deve impulsionar a modernização dos negócios, principalmente no varejo.
“O fim da escala 6x1 pode abrir uma corrida por eficiência nas empresas. Reduzir custos operacionais deixa de ser uma escolha e passa a ser condição para o varejo continuar competitivo”, afirma.
Segundo Drago, a readequação das escalas exige atenção ao impacto na folha de pagamento, já que uma gestão inadequada pode comprometer as margens de lucro. Ele considera que investimentos em inteligência artificial e automação ajudarão empresas a equilibrar despesas e manter suas atividades.
A avaliação encontra respaldo em uma nota técnica do economista-chefe do Instituto Brasileiro de Executivos de Finanças do Espírito Santo (IBEF-ES), Felipe Storch Damasceno. Segundo ele, reduzir as horas trabalhadas sem diminuir salários aumenta o custo da mão de obra por hora e exige ganhos de produtividade.
“Um aumento permanente do custo por hora eleva o incentivo para automação, padronização e digitalização”, aponta o economista.
Storch ressalta, porém, que os resultados dependem da capacidade de investimento das empresas e da qualificação dos trabalhadores. Sem planejamento, a mudança também pode pressionar preços e margens de lucro.
Outra frente de economia está na conta de energia elétrica. Para o engenheiro eletricista Antonio Temer, diretor comercial (CCO) da Ecosun e cofundador da Bratech, a necessidade de manter a produção com jornadas menores tende a elevar os gastos com pessoal e pressionar os preços dos produtos.
“Para manter a competitividade, será preciso economizar em outras áreas, e a energia elétrica é uma das que mais oferecem espaço para isso”, avalia.
Temer destaca que medidas como revisão dos contratos de energia, ajuste da demanda contratada e geração própria podem reduzir significativamente as despesas. Na avaliação do especialista, uma gestão energética mais eficiente ajudará as empresas a absorver os custos adicionais da nova jornada sem comprometer sua permanência no mercado.

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