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REVITALIZAÇÃO

De moradias a novas praças: veja os planos para o Centro de Vitória

Projetos preveem recuperação de prédios históricos, habitação popular e melhorias urbanas; conheça as intervenções previstas para a região.

Por Rodrigo Péret

Repórter Multimídia · · Atualizado em · 3 min de leitura

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Por décadas, o Centro de Vitória concentrou o comércio, serviços e repartições públicas da capital, mas com a expansão da cidade e a transferência de atividades para outros bairros, parte dos imóveis perdeu ocupação e o movimento acabou drasticamente reduzido, o que fez a região se tornar sinônimo de esvaziamento e prédios deteriorados.

Para mudar a situação, a prefeitura de Vitória apresentou, neste ano, um conjunto de medidas para atrair moradores, recuperar edifícios e renovar ruas, praças e a orla. A principal aposta é o Programa de Reabilitação da Área Central (ReAC), instituído em julho. O município calcula que as medidas possam viabilizar de 8 mil a 11 mil moradias, atrair até 27,5 mil novos moradores e movimentar R$ 6 bilhões em negócios imobiliários. O valor é uma projeção de mercado, sem representar recursos já contratados.

Como a Prefeitura pretende recuperar os prédios?

Uma das mudanças envolve a transferência do potencial construtivo. O mecanismo permite que proprietários de imóveis históricos negociem direitos de construção para uso em outras áreas autorizadas, ajudando a financiar reformas e restaurações.

Em junho, pouco antes da instituição do ReAC, o secretário municipal de Desenvolvimento da Cidade e Habitação, Túllio Ponzi Netto, explicou que o empreendedor que recuperar imóveis considerados prioritários “terá um direito adicional de construção em outra área permitida”. Na ocasião, a Prefeitura informou ter identificado preliminarmente 138 imóveis de interesse histórico e social, com cerca de 68 mil metros quadrados de construções com potencial para modernização. Entre os locais prioritários estavam o entorno da Avenida Jerônimo Monteiro e a região do Parque Moscoso.

O ReAC também prevê licenciamento simplificado, incentivos à habitação social e mecanismos contra o abandono de imóveis, como o IPTU progressivo. A eventual arrecadação de bens abandonados depende das exigências e dos procedimentos previstos em lei.

Moradias em edifícios antigos

Projeção do Edifício Getúlio Vargas, no Centro de Vitória, após as obras de reforma · MURILO PAOLI/DIVULGAÇÃO

Dois imóveis conhecidos ilustram a proposta de devolver a função residencial a prédios subutilizados. Na Praça Costa Pereira, o antigo IAPI deverá receber 100 moradias populares. Em setembro, o governo federal formalizou a concessão de uso do prédio a uma entidade habitacional. 

Já o Edifício Jerônimo Monteiro, antiga sede da Caixa Econômica Federal, tem previsão de receber 44 apartamentos para famílias de baixa renda. Em maio, a Prefeitura lançou o edital para contratar o projeto e a reforma.

Ruas, praças e orla em obras

As ruas Sete de Setembro e Gama Rosa e a Praça Ubaldo Ramalhete passam por intervenções de pavimentação, iluminação e acessibilidade. Os serviços foram embargados pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), que autorizou a retomada parcial em abril, após análise da documentação apresentada. Na Avenida Beira-Mar, a obra iniciada em setembro abrange 4,2 quilômetros, entre o Porto de Vitória e o Hortomercado. 

O contrato é de R$ 97,8 milhões, com prazo previsto de 24 meses e mudanças para pedestres, ciclistas e espaços de convivência. Também estão nos planos a reurbanização da Vila Rubim e da Ponte Seca, além de intervenções na Praça Oito e nos entornos do Parque Moscoso e do Viaduto Caramuru. Uma carteira divulgada em agosto reunia R$ 250,5 milhões em obras já entregues, em execução e previstas.

Moradores pedem participação e permanência

A Associação de Moradores do Centro de Vitória (Amacentro) vê oportunidades na recuperação de edifícios e na chegada de novos residentes, mas defende a preservação da vida comunitária e das atividades culturais e comerciais que já existem. “O importante é que esse processo seja construído de forma transparente”, afirmou o presidente da Amacentro, Walace Bonicenha, que também pediu maior participação popular e cobrou uma solução para a fiação aérea e alertou para o risco de a valorização imobiliária afastar moradores antigos.

Com projetos em diferentes etapas, a revitalização do Centro terá seus resultados medidos pela ocupação efetiva dos imóveis, pela conclusão das obras e pelos efeitos sobre a rotina de quem vive e trabalha na região.

Rodrigo Péret

Repórter Multimídia · Cotidiano

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