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INOVAÇÃO CAPIXABA

Três invenções desenvolvidas no ES mostram a força da pesquisa capixaba

De inseticida natural a robô ferroviário, tecnologias criadas por pesquisadores do estado conquistaram patentes e apresentam soluções para diferentes setores

Por Redação Painel News

· Atualizado em · 4 min de leitura

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Equipamento mede necessidade de água nas plantas · DIVULGAÇÃO

A ciência produzida no Espírito Santo tem encontrado caminhos para transformar conhecimento em soluções práticas. Em diferentes áreas, pesquisadores capixabas desenvolvem tecnologias capazes de contribuir para a agricultura, a indústria e a segurança de operações.

Três projetos conduzidos por instituições de pesquisa do Estado chamam a atenção pela aplicação de suas descobertas. Os trabalhos envolvem pesquisadores do Instituto Federal do Espírito Santo (Ifes), da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), do Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper), da Universidade Estadual do Norte Fluminense (UENF) e da Vale.

As três invenções receberam patentes do Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI), reconhecimento que protege as tecnologias desenvolvidas e atesta sua originalidade.

Inseticida natural para combater pragas

Uma alternativa de origem vegetal para o controle de pragas agrícolas foi desenvolvida por pesquisadores do Ifes, da Ufes e do Incaper. A tecnologia utiliza óleos essenciais extraídos de duas espécies de plantas, Tephrosia vogelii e Piper aduncum, na formulação de um inseticida destinado ao combate de formigas-lava-pés e pulgões que atacam plantações de morango.

A invenção recebeu carta-patente do INPI em julho de 2026.

A proposta é oferecer uma alternativa aos inseticidas sintéticos, especialmente em sistemas de produção orgânica e agroecológica. Os compostos vegetais foram avaliados em laboratório e em condições de semicampo.

Segundo os resultados descritos na documentação da patente, determinadas concentrações dos óleos essenciais provocaram mortalidade de 100% dos pulgões do morango em 24 horas. O óleo de Piper aduncum também apresentou mortalidade superior a 80% para as duas espécies de pragas nas concentrações avaliadas.

A pesquisa abre perspectivas para o desenvolvimento de produtos agrícolas de origem natural. A tecnologia, entretanto, ainda precisa avançar em etapas de desenvolvimento e validação antes de ser considerada uma solução comercial disponível aos produtores.

Robô inspeciona trilhos

Uma parceria entre pesquisadores do Ifes e profissionais da Vale resultou no desenvolvimento de um robô autônomo para inspeção ferroviária. O equipamento tem uma característica particular: consegue se recolher para permitir a passagem de trens sem necessidade de interromper o tráfego.

O projeto recebeu patente do INPI em novembro de 2025.

A estrutura retrátil permite que o robô permaneça posicionado nos trilhos para realizar inspeções. Quando identifica a aproximação de uma composição ferroviária, o equipamento se recolhe para uma posição protegida, entre os trilhos e os dormentes. Depois da passagem do trem, retorna automaticamente à posição de trabalho.

O dispositivo foi concebido para registrar imagens de diferentes partes dos trilhos, incluindo boleto, alma e patim, além de elementos do entorno da via. As informações podem contribuir para identificar desgastes e orientar os trabalhos de manutenção.

O método tradicional de inspeção utiliza veículos adaptados que percorrem os trilhos e exige a interdição temporária do trecho. Com o novo equipamento, a proposta é reduzir interferências na circulação ferroviária e diminuir a exposição de trabalhadores a situações de risco.

A possibilidade de distribuir vários robôs por diferentes trechos também pode tornar as inspeções mais rápidas. A Estrada de Ferro Vitória-Minas, por exemplo, pode exigir até dois meses para uma inspeção completa pelo método convencional.

A invenção é resultado de uma colaboração entre a instituição de ensino e a empresa, com participação de professores, pesquisadores e estudantes de engenharia.

Equipamento mede necessidade de água das plantas

Outro avanço desenvolvido com participação capixaba está relacionado a um desafio cada vez mais importante para a agricultura: compreender como as plantas respondem à disponibilidade de água.

Pesquisadores do campus Cachoeiro de Itapemirim do Ifes, em parceria com a Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro (UENF), desenvolveram um equipamento capaz de medir a tensão da água na matriz intercelular das folhas vegetais.

A tecnologia recebeu patente do INPI em novembro de 2025.

O sistema reúne sensores de fluxo de seiva e pressão, uma câmara de pressurização e um controlador eletrônico. O objetivo é avaliar o potencial hídrico foliar, indicador utilizado para compreender o estado de hidratação das plantas e identificar situações de estresse hídrico.

Uma das possibilidades investigadas é realizar medições com a folha ainda ligada à planta, sem a necessidade de retirá-la para análise. Essa abordagem pode permitir estudos mais contínuos sobre o comportamento das espécies vegetais diante de diferentes condições ambientais.

O equipamento já foi validado para medições com folhas destacadas. A aplicação não destrutiva, com folhas ainda ligadas à planta, apresentou resultados experimentais promissores, mas ainda depende de pesquisas adicionais para sua validação plena.

Entre as aplicações potenciais estão o aperfeiçoamento do manejo da irrigação, pesquisas de melhoramento genético e estudos sobre a resistência das plantas à seca.

A tecnologia pode ter utilidade especial em culturas de maior valor agregado, como videiras e frutíferas, nas quais o controle preciso da disponibilidade de água é importante para a produção.

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